80% das escolas brasileiras já discutem impactos das telas na saúde mental

Postado em 5 de agosto de 2026

O excesso de telas deixou de ser apenas um desafio pedagógico para se tornar uma preocupação relacionada à saúde mental e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes. Hoje, quatro em cada cinco escolas brasileiras promovem discussões sobre os efeitos da superexposição ao ambiente digital, segundo a pesquisa TIC Educação 2025, divulgada nessa terça-feira (4) pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

O levantamento, realizado com 2.404 gestores de escolas públicas e privadas de todo o país, mostra que o tema ganhou espaço de forma acelerada. Entre 2024 e 2025, o percentual de instituições que passaram a discutir os impactos das tecnologias digitais subiu de 62% para 80%. O movimento também se reflete na aproximação com as famílias: atualmente, três em cada quatro escolas promovem reuniões para orientar pais e responsáveis sobre o uso de dispositivos digitais.

Para a diretora da Casa Escola, Priscila Griner, os números confirmam uma preocupação que há anos vem sendo percebida dentro das salas de aula. “A tecnologia faz parte da vida dos nossos alunos e seria um erro ignorar essa realidade. O desafio está em utilizá-la de forma consciente, sempre que ela amplia as possibilidades de aprendizagem, sem abrir mão de experiências fundamentais para o desenvolvimento, como o contato com a natureza, as brincadeiras e as atividades manuais”, destaca.

Na Casa Escola, o uso de celulares segue regras específicas e está vinculado aos objetivos pedagógicos. Fora desse contexto, conforme explica a diretora, a prioridade é estimular experiências que fortaleçam a atenção, a criatividade, a autonomia e as relações interpessoais. “Não somos contra a tecnologia. Pelo contrário: queremos que nossos estudantes aprendam a utilizá-la de forma crítica e responsável. Mas ela não pode ocupar o espaço de experiências que nenhuma tela substitui”, ressalta.

Desafio vai além da escola
Apesar dos avanços, transformar a educação digital em uma prática consistente ainda é um desafio para muitas instituições de ensino. Entre aquelas que desenvolvem ações na área, 75% apontam a baixa participação das famílias como um dos principais obstáculos. O levantamento do Cetic.br também mostra que quase metade das escolas foi procurada por pais e responsáveis em busca de orientações sobre como mediar o consumo digital de crianças e adolescentes.

Para a psicóloga da Casa Escola, Juliana Guedes, esse dado reforça que o debate sobre o uso da tecnologia, em especial das mídias sociais, vai além das telas e passa pelo fortalecimento das relações familiares.

“Na era digital, o acesso constante à informação e às redes sociais têm ampliado a insegurança de muitas famílias sobre como educar seus filhos. Ao mesmo tempo, esse excesso de estímulos pode enfraquecer a conexão entre pais e filhos, justamente quando as crianças mais precisam de presença, escuta e vínculos seguros. É por isso que, na Casa Escola, investimos em espaços permanentes de diálogo, escuta e orientação às famílias, entendendo que a saúde mental também se fortalece nessas relações”, avalia Juliana.

A nova fronteira da educação digital
Outro dado revelado pela TIC Educação 2025 mostra que a inteligência artificial já faz parte da rotina das escolas. Mais da metade dos gestores utiliza ferramentas de IA em atividades administrativas ou pedagógicas. Apesar desse avanço, apenas 22% das instituições afirmam possuir orientações formais para o uso desses recursos, indicando que a adoção da tecnologia ainda acontece em ritmo mais acelerado do que a definição de políticas e práticas educacionais.

“Na Casa Escola, entendemos que a inteligência artificial deve ser incorporada à educação com intencionalidade pedagógica e responsabilidade. Para os professores, ela apoia a elaboração de adaptações curriculares, o aprofundamento e a diversificação de conteúdos e metodologias, além de otimizar processos administrativos. Esse ganho também amplia as possibilidades de um acompanhamento mais individualizado dos alunos, respeitando seus ritmos, interesses e necessidades”, afirma Priscila.

“Já para os estudantes, o acesso à IA precisa acontecer de forma criteriosa. Mais do que oferecer respostas prontas, ela deve contribuir para o desenvolvimento da autonomia para aprender, da capacidade de investigar, questionar e produzir conhecimento. Cabe à escola ensinar o uso ético, crítico e responsável dessas ferramentas. A inteligência artificial pode ampliar o acesso ao conhecimento, mas é a inteligência humana que continua dando sentido e atribuindo significado ao que se aprende”, conclui a diretora da Casa Escola.

Diario do RN