Abstenção eleitoral preocupa TSE e pode influenciar disputa presidencial de 2026

Postado em 22 de julho de 2026

O crescimento da abstenção eleitoral tem se consolidado como um dos principais desafios para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e passou a integrar as estratégias das campanhas para as eleições de 2026. Especialistas avaliam que o aumento do não comparecimento às urnas pode influenciar o resultado da disputa pela Presidência da República, sobretudo porque o perfil dos eleitores que costumam se abster se aproxima do eleitorado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

Dados da Justiça Eleitoral mostram que a taxa de abstenção nas eleições gerais cresceu de forma gradual desde 2002. Naquele ano, 17,7% dos eleitores deixaram de votar no primeiro turno. Em 2022, o índice chegou a 20,9%, enquanto no segundo turno houve uma leve queda para 20,5%, movimento atribuído por especialistas à forte polarização entre os candidatos. Entre os municípios, Maraã (AM) registrou a maior abstenção no segundo turno de 2022, com 45,5%, enquanto Governador Valadares (MG) liderou entre as cidades com mais de 200 mil eleitores, com 27,5%.

Cientistas políticos apontam que fatores como dificuldades de acesso aos locais de votação, principalmente em regiões remotas, desinteresse pelo processo eleitoral, desatualização do cadastro de eleitores e a baixa punição pelo não comparecimento ajudam a explicar o avanço da abstenção. Atualmente, o voto é obrigatório para eleitores alfabetizados entre 18 e 70 anos, mas quem deixa de votar e não justifica a ausência paga multa de R$ 3,51 por turno. O título eleitoral é cancelado após três ausências consecutivas sem justificativa, situação que levou ao cancelamento de cerca de 5 milhões de títulos em 2025.

Para especialistas, o baixo valor da multa e a facilidade para justificar a ausência reduzem o impacto das penalidades previstas na legislação eleitoral. O cientista político Jairo Nicolau, da Fundação Getulio Vargas (FGV), defende que a pouca efetividade das sanções contribui para o crescimento gradual da abstenção, tema que deve permanecer no centro dos debates durante o processo eleitoral de 2026.

Com informações da Folha de S.Paulo