Afastamentos por transtornos mentais crescem 64% no RN, aponta estudo

Os afastamentos do trabalho motivados por transtornos mentais cresceram 64% entre 2023 e 2025 no Rio Grande do Norte, acompanhando uma tendência observada em todo o país. Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mostram que o estado passou de 3.783 licenças concedidas em 2023 para os 6.201 de 2025.
O avanço no Rio Grande do Norte segue o movimento nacional, onde o número de licenças por transtornos mentais aumentou 79% em dois anos, saltando de 219,8 mil em 2023 para 393,6 mil até novembro de 2025. No Nordeste, o crescimento foi ainda mais expressivo, com alta de 94%, passando de 35.444 para 68.651 concessões. O Maranhão liderou a variação percentual na região, com aumento de 140%.
Ansiedade e depressão concentram a maior parte dos afastamentos. No Brasil, essas duas condições responderam por 86% das licenças concedidas em 2025. Os afastamentos por transtornos ansiosos cresceram 92% no período, enquanto os relacionados a episódios depressivos e transtorno depressivo recorrente tiveram alta de 71%. Já os casos de burnout, associado diretamente ao ambiente de trabalho, triplicaram, passando de 1.760 em 2023 para 6.985 em 2025.
No Rio Grande do Norte, o aumento dos afastamentos ocorre paralelamente à ampliação da demanda por atendimento em saúde mental. Entre janeiro e setembro de 2025, foram registrados 126,9 mil atendimentos ambulatoriais de assistência psicológica no estado. Os serviços psicossociais atendem casos de sofrimento psíquico, uso de álcool e outras drogas, além de dependência de jogos e apostas, classificados pelos códigos CID 10-Z72.6 e CID 10-F63.0.
Dados oficiais indicam que os atendimentos psicossociais no Rio Grande do Norte cresceram 81% entre 2015 e 2025, passando de 69.933 para 126.994 procedimentos. Em 2025, 25% dos pacientes atendidos estavam na faixa etária entre 40 e 49 anos, e 60% eram homens.
Segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), os números refletem apenas os casos mais graves, que resultam em afastamentos superiores a 15 dias e envolvem trabalhadores formais. “O levantamento mostra os quadros mais graves e de trabalhadores formais, que representam de 45 milhões a 50 milhões de brasileiros. Mas como estão os trabalhadores informais?”, questiona o presidente da entidade, Francisco Cortes Fernandes.
Além do impacto social, o avanço dos transtornos mentais gera reflexos econômicos. Em 2024, os benefícios concedidos pelo INSS relacionados a esses afastamentos custaram cerca de R$ 954 milhões. Especialistas apontam fatores como pressão por metas, jornadas extensas, insegurança no emprego e mudanças no ambiente de trabalho pós-pandemia como elementos que contribuem para o cenário.
A análise por gênero mostra que as mulheres concentram 68% das licenças concedidas por transtornos mentais no país. No recorte etário, a maior incidência está entre trabalhadores de 40 a 49 anos. Para a ANAMT, o cenário reforça a necessidade de que empresas adotem políticas efetivas de prevenção, com atenção aos riscos psicossociais e às exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a incluir a gestão desses riscos no ambiente de trabalho.
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