Agripino descarta risco de perder comando do União Brasil no RN

O ex-senador José Agripino Maia não vê qualquer risco de perder o comando do União Brasil no Rio Grande do Norte. Em meio a especulações sobre uma possível troca na presidência do diretório potiguar e diante de movimentações políticas que tentam atrair quadros da legenda para outros projetos eleitorais, Agripino afirma que a hipótese de perda de influência dentro do partido não faz parte de suas preocupações.
“Nem me preocupa a sua pergunta, nem de longe me sensibiliza”, declarou, em entrevista ao jornal O CORREIO DE HOJE. Segundo ele, a relação com a direção nacional do partido é antiga e consolidada. “Eu tenho com os companheiros do União Brasil um caminho de longa data. Eu tenho muito quilômetros rodados com essas pessoas”, acrescentou.
Agripino também afirmou não disputar espaço dentro da legenda e disse ter experiência suficiente para perceber quando há risco real de perda de poder. “Eu tenho um feeling perfeito para saber quando é que eu devo me preocupar ou não com ameaças de subtração das prerrogativas que eu possa ter como presidente do partido.”
A declaração ocorre em um momento de forte movimentação política em torno do União Brasil no Estado. O Partido Liberal (PL) tem buscado ampliar seu espaço no Rio Grande do Norte e tenta atrair lideranças da legenda para o seu campo político.
Um dos casos é o de Carla Dickson. No primeiro dia da janela partidária, em 5 de março, a deputada federal deixou o União Brasil e se filiou ao Partido Liberal. Além disso, o partido bolsonarista fez investidas sobre vereadores de Natal ligados ao União Brasil, a exemplo da vereadora licenciada Nina Souza.
No cenário estadual, o União Brasil também convive com divergências internas. O diretório municipal de Natal, presidido pelo prefeito Paulinho Freire, apoia a pré-candidatura do ex-prefeito Álvaro Dias ao Governo do Estado, enquanto a direção estadual trabalha na construção de uma aliança em torno do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra.
No plano nacional, o Partido Liberal tenta ampliar a aliança de partidos em torno da candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro, o que inclui conversas para atrair o União Brasil para esse palanque. O senador potiguar Rogério Marinho é o coordenador da campanha de Flávio.
Apesar desse ambiente de disputa política, Agripino afirma não enxergar risco ao seu comando dentro da legenda. “Em momento nenhum foi objeto das minhas preocupações ter mais prestígio ou menos prestígio do que eu tenho”, disse.
Questionado sobre possíveis reflexos locais de articulações nacionais envolvendo o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Liberal, Agripino descartou qualquer impacto na aliança estadual. “Chance zero”, respondeu ao ser perguntado se o movimento poderia comprometer o apoio do partido da senadora Zenaide Maia à chapa liderada por Allyson Bezerra.
Segundo ele, a relação de Zenaide com a direção nacional do partido é sólida e não haveria interferência para impedir alianças locais. “A relação de Zenaide com a presidência do PSD, ao que me consta, é bastante sólida, consistente. Eles têm um diálogo muito bom e jamais a direção nacional seria impeditiva à aliança que Zenaide fizesse aqui no Rio Grande do Norte.”
Cartas de anuência
Durante a entrevista, o dirigente também reafirmou a decisão do União Brasil de não conceder cartas de anuência para vereadores de Natal deixarem o partido. Segundo ele, a medida está relacionada à necessidade de fortalecer as chapas proporcionais para as eleições de 2026.
Agripino explicou que a legislação eleitoral estabelece janelas específicas para troca de partido e que, fora desse período, a saída depende de autorização formal da legenda. No caso do União Brasil, a concessão desse documento exige aprovação de três quintos da direção partidária.
Ele destacou que liberar parlamentares poderia enfraquecer a nominata da legenda e prejudicar outros candidatos. “Na medida em que eu, como presidente do partido, libero, eu estou sendo infiel ou injusto com os outros que estão participando, também como os vereadores, de uma nominata”, disse.
Agripino comentou especificamente a situação da vereadora licenciada Nina Souza, cotada para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados do Brasil. A parlamentar chegou a anunciar sua ida para o Partido Liberal alegando busca por maior viabilidade eleitoral. Sem a anuência do União Brasil, a mudança partidária pode fazê-la perder o mandato na Câmara Municipal de Natal.
Segundo José Agripino Maia, caso decidisse permanecer no União Brasil, Nina também teria viabilidade eleitoral e acesso à estrutura partidária e aos recursos eleitorais. “Ela candidata pela União Brasil, claro que daria. É evidente que daria”, afirmou ao ser questionado sobre apoio financeiro e político à candidatura.
“Nina teria a condição de candidata pelo nosso partido de ter todos os privilégios da estatura política eleitoral que ela tem”, destacou.
