Alerta no RN: quase metade dos adolescentes já experimentou álcool, diz pesquisa do IBGE

Quase metade dos adolescentes do Rio Grande do Norte já teve contato com bebidas alcoólicas. É o que mostram dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento, 44,7% dos estudantes potiguares entre 13 e 17 anos afirmaram já ter experimentado álcool pelo menos uma vez na vida.
A pesquisa reúne informações de alunos de escolas públicas e privadas em todo o país e investiga hábitos, comportamentos e fatores que podem influenciar a saúde e o bem-estar dos estudantes.
Outro ponto que chama atenção é a idade em que ocorre o primeiro contato com a bebida. No RN, 20,6% dos estudantes disseram ter experimentado álcool aos 13 anos ou antes, indicando que parte dos adolescentes começa a consumir álcool ainda nos primeiros anos da adolescência.
Além disso, mais de um terço dos estudantes relatou já ter passado por episódios de embriaguez ao longo da vida, dado que reforça a preocupação de especialistas sobre os impactos desse comportamento em fase de desenvolvimento.
Além do consumo de álcool, a PeNSE identificou o contato de adolescentes com outros produtos que podem representar risco à saúde. No RN, 22,7% dos estudantes afirmaram já ter experimentado cigarro eletrônico. O levantamento também registrou, em menor proporção, relatos de uso de cigarro tradicional e outras formas de fumo.
O avanço desses dispositivos entre jovens tem despertado atenção de profissionais da área de saúde, principalmente devido à popularização desses produtos e à percepção equivocada de que seriam menos nocivos do que o cigarro convencional.
Impactos do consumo precoce
Especialistas alertam que o contato com álcool e outras substâncias em idades mais jovens pode trazer consequências para o desenvolvimento físico e mental.
De acordo com análises do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), o início precoce do consumo está associado a maior probabilidade de déficits cognitivos, envolvimento em comportamentos de risco e desenvolvimento de transtornos mentais e comportamentais ao longo da vida.
Dados analisados pela instituição indicam que, entre 2017 e 2022, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 29.991 internações de adolescentes no Brasil por transtornos mentais e comportamentais relacionados ao uso de substâncias.
Grande parte desses atendimentos ocorreu em situações de urgência, sendo a intoxicação aguda um dos quadros mais frequentes. O levantamento também aponta que 72,1% das internações envolveram adolescentes do sexo masculino, com maior incidência entre jovens de 15 a 19 anos.
Influência do ambiente social
Pesquisadores apontam que diversos fatores podem aumentar a vulnerabilidade de adolescentes ao consumo de álcool e outras drogas. Entre os aspectos mais associados a esse cenário estão situações de vulnerabilidade econômica, exposição à violência e ambientes familiares instáveis. Esses fatores podem favorecer o início precoce do contato com substâncias psicoativas.
Diante desse quadro, especialistas defendem o fortalecimento de ações preventivas, orientação às famílias e programas educativos nas escolas, com o objetivo de reduzir o consumo precoce e proteger a saúde física e mental dos jovens.
Saúde mental e desafios escolares
A pesquisa também analisou aspectos relacionados ao bem-estar emocional e à rotina dos estudantes. Parte dos adolescentes relatou sentir tristeza com frequência, preocupação constante com problemas do dia a dia e dificuldades no ambiente escolar.
Para pesquisadores, esses indicadores ajudam a compreender melhor os desafios enfrentados pelos jovens e reforçam a importância de políticas públicas voltadas à promoção da saúde mental e ao acompanhamento dessa faixa etária.
Principais dados da pesquisa no RN
44,7% dos estudantes de 13 a 17 anos já experimentaram bebida alcoólica
20,6% tiveram o primeiro contato com álcool aos 13 anos ou antes
Mais de um terço relatou já ter passado por episódios de embriaguez
22,7% afirmaram já ter experimentado cigarro eletrônico
Dados incluem estudantes de escolas públicas e privadas
Alessandra Bernardo/NOVO Notícias
