ALRN promove debate para reativar Marizão e Nonozão, maiores palcos do esporte no Seridó

Prestes a completar 32 anos de sua fundação, o Estádio Senador Dinarte Mariz, o Marizão, em Caicó, já foi palco de grandes e históricos momentos do futebol. Já sediou três finais do Campeonato Potiguar, três partidas da Copa do Brasil e vários jogos da Série C do Campeonato Brasileiro, mas nunca recebeu uma reforma e hoje não tem a menor condição de funcionamento. Foi para buscar soluções e a forma de viabilizar a sua reforma, a fim de retorne à atividade, que a ALRN, por iniciativa do mandato do deputado Adjuto Dias (MDB) , promoveu audiência pública em Caicó, nesta sexta-feira (4).
O debate aconteceu no plenário Prefeito Inácio Bezerra, da Câmara de Caicó, e contou com representantes do governo, da prefeitura, de vereadores, das ligas de futebol, federações e de pessoas da comunidade ligadas ao esporte. Além do Marizão, a audiência também foi para buscar soluções para a situação do ginásio Nonozão, como é mais conhecido o ginásio localizado na Ilha de Santana, atualmente interditado pelo Corpo de Bombeiros.
“Queremos esclarecer de quem é a responsabilidade por ambos os estádios, se existem projetos para reforma, esclarecer de onde tem os recursos e como poderemos contribuir para que estes equipamentos sejam reformados”, afirmou o deputado Adjuto Dias. “A gente veio tomar conhecimento e ver quais etapas precisam ser cumpridas. Se o governo tem os recursos, vamos buscar, Esta é uma luta suprapartidária , que envolve os colegas deputados e também a bancada federal”, encerrou o deputado propositor.
Com os dois maiores ginásios públicos da cidade interditados, Caicó praticamente ficou fora do mapa dos principais campeonatos regionais, como o Seridozão, que congrega times de toda a região e vai completar 40 anos. Municípios menores, como Cruzeta e São Fernando, sediam jogos rotineiramente. O Marizão está totalmente deteriorado e com estrutura que coloca em risco a segurança.
O secretário municipal de Esporte, José Maria, falou sobre o Nonozão e esclareceu que existe um convênio do município com a Ilha de Santana e que o Marizão, no entanto, a prefeitura paga a conta de energia, mas é coordenado pelo governo estadual. O gestor explicou que representantes do governo estadual estiveram no local recentemente em visita ténica, a fim de avaliar a estrutura e posteriormente criar um projeto para a reforma. “Essa reforma será muito boa para Caicó e região. Já o Marizão está num estado lamentável, a gente precisa que o esporte volte a crescer”, disse.
Representando o Corpo de Bombeiros, o Coronel Araújo relatou que o Nonozão foi interditado por conta de problemas na cobertura, para evitar acidentes quando as telhas se desprenderam e parabenizou a prefeitura pela iniciativa. Sobre o Marizão, ele afirmou que o estádio não tem o AVCB, o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros. É este documento que atesta que o imóvel está em conformidade com as normas de segurança contra incêndios. “Precisa um projeto de combate a incêndios e depois disso a gente faz a análise para conferir se o que foi apresentado está dentro das normas técnicas, nossos vistoriadores vão até o local conferir se condiz com o que foi apresentado no projeto e se foram executadas as medidas de segurança e de combate ao incêndio”, disse.
Representando o governo do Estado, o coordenador de Desporto Escolar da Secretaria de Educação, João Pessoa, afirmou que o problema do Marizão, assim como de outros estádios, está na configuração atual: o governo estadual constroi mas não faz a gestão, administração e manutenção do equipamento.
O secretário, que acompanha a questão do estádio Marizão, sugeriu como solução para este e outros equipamentos esportivos a criação de um comitê gestor. Na história do Marizão, ele relata que outro problema foi o fato da secretaria de Esportes ter sido criada somente em 2007, sem orçamento e funcionando com servidores cedidos da Secretaria de Educação. “Um comitê de gestão pode fazer um relatório, a partir daí chamar a Secretaria de Infraestrutura para ver as demandas necessárias a fim de se iniciar a reforma”, disse.
João Pessoa afirmou ainda que o Marizão, por ser estádio olímpico, deveria contar com pista de atletismo no seu entorno e que a planta previa um anel viário, conforme o antigo Castelão, em Natal, como eram os modelos de estádios da época. “Por parte do governo ouve dificuldade administrativa e gerencial. Se formos ver a Arena das Dunas, é outra concepção”.
O gestor encerrou defendendo a luta pelo retorno das atividades no estádio e ginásio. “Estamos lutando por um bem para a população de caicó, o estádio é um ente territorial, e tem por obrigação apoiar todos as 167 municípios e acredito que a gestão compartilhada, com parceria da iniciativa privada e dos parceiros que utilizam o ginásio, pode ser a solução”, disse.
O vereador Diogo Silva lamentou a falta de funcionamento dos dois principais equipamentos públicos para sediar jogos e campeonatos. “A juventude fica prejudicada, não somente de Caicó, mas de toda a região”, disse.
Outros participantes da audiência, que compuseram a mesa, relataram os históricos problemas do estádio Marizão e do ginásio Nonozão, que prejudicam a realização de campeonatos na cidade e os jovens desportistas.