Álvaro Dias admite que direita cometeu “falha” ao excluir mulheres de chapa no RN

O pré-candidato do PL ao Governo do Rio Grande do Norte, Álvaro Dias, reconheceu que a chapa majoritária da direita foi formada sem participação feminina e admitiu que a ausência pode ser interpretada como um problema. “Realmente, talvez tenha sido uma falha”, afirmou em entrevista à rádio 98 FM, ao comentar o fato de que todos os nomes anunciados para governo, vice e Senado são homens.
A chapa da direita no Rio Grande do Norte terá Álvaro Dias como candidato ao governo, com Babá Pereira (PL) candidato a vice. Para o Senado, a chapa terá os nomes de Styvenson Valentim (Podemos) e Coronel Hélio (PL).
Álvaro Dias afirmou inicialmente que a chapa estava “concluída”, mas, ao longo da entrevista, admitiu que ainda podem ocorrer ajustes, especialmente nas suplências. “Em política, nada é definitivo”, disse, ao mencionar a possibilidade de inclusão de mulheres em posições secundárias.
A ausência feminina ocorre em um cenário de crescente cobrança por maior representatividade na política, especialmente em disputas majoritárias. Mesmo sem detalhar mudanças imediatas, Álvaro indicou que eventuais alterações dependerão das negociações conduzidas pelo senador Rogério Marinho, presidente do PL no RN responsável pela articulação política do grupo.
Após tratar da composição da chapa, o ex-prefeito ampliou a entrevista para defender sua gestão em Natal, especialmente diante de críticas recentes. Ao ser questionado sobre o hospital municipal — inaugurado no fim de seu mandato em 2024 e ainda sem funcionamento —, respondeu de forma direta.
“Não está funcionando, mas vai funcionar”, afirmou. Segundo ele, a unidade foi entregue do ponto de vista estrutural, restando apenas “ajustes” finais. “Foi entregue a obra física do hospital”, disse, acrescentando que a estrutura deverá contar com cerca de 300 leitos quando estiver plenamente operacional.
Álvaro afirmou que não se arrepende de ter inaugurado o equipamento mesmo sem a obra estar finalizada. “Era bom ter inaugurado para que a população tome conhecimento do grande investimento”, declarou, ao classificar o hospital como “a obra da qual eu mais me orgulho” e como “o maior investimento jamais visto em saúde pública aqui no estado do Rio Grande do Norte”.
O pré-candidato também associou o atraso na conclusão de obras à retenção de recursos federais. Segundo ele, há cerca de R$ 50 milhões em convênios da Prefeitura do Natal “represados no governo do PT”. “Mais de um ano que não vem um tostão do governo federal”, afirmou, ao mencionar que a situação teria impactado outras intervenções, como o mirante da Ladeira do Sol e a requalificação da orla urbana de Natal.
Na mesma linha, direcionou críticas ao pré-candidato Cadu Xavier (PT), que havia visitado o hospital e questionado sua execução. “Peça a Cadu Xavier para liberar os recursos que estão em Brasília”, disse, ao responsabilizar o grupo governista pela retenção de verbas.
Ao comentar o cenário eleitoral, também abordou a disputa com Allyson Bezerra (União), embora tenha evitado avaliação direta. Questionado sobre a força do ex-prefeito de Mossoró, respondeu que “Mossoró não é o Rio Grande do Norte”, ao relativizar o peso político da cidade na eleição estadual.
Álvaro afirmou que a eleição deverá seguir a lógica de polarização nacional e projetou um segundo turno entre sua candidatura e a de Cadu Xavier.
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