Após rejeição inicial, PF retoma negociação de delação premiada com Daniel Vorcaro

Postado em 28 de maio de 2026

A Polícia Federal decidiu retomar as negociações para um acordo de delação premiada com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, uma semana após ter descartado a primeira versão da colaboração oferecida pelo ex-banqueiro. Os investigadores encaminharam um ofício ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, comunicando formalmente o interesse em discutir novos termos para o eventual acordo.

Embora ainda não tenha sido assinado um novo pacto de confidencialidade entre as partes, a corporação entende que é um direito do investigado apresentar novas propostas, que devem ser analisadas criteriosamente pela equipe técnica responsável pelo inquérito. Na última negociação, a PF considerou a delação de Vorcaro como insuficiente.

A avaliação dos investigadores era de que as informações fornecidas não traziam elementos novos e se limitavam a confirmar provas já obtidas, como diálogos extraídos de apreensões de celulares. Diante do impasse, o ex-banqueiro sinalizou interesse em prosseguir as discussões com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que manifestou o entendimento de que a negociação não deveria ser encerrada. A expectativa é que o ressarcimento aos cofres públicos possa atingir a marca de R$ 60 milhões pelas irregularidades apontadas nas apurações.

O cenário jurídico de Vorcaro também apresentou mudanças recentes com a troca em sua equipe de defesa, agora sob a condução do advogado Sérgio Leonardo, após a saída de Luis Oliveira Lima. Paralelamente às negociações, o ministro André Mendonça autorizou o retorno do investigado a uma cela especial na superintendência da PF em Brasília.

A medida atende a um parecer da PGR, que alertou para o risco de Vorcaro, em uma cela comum, interagir com outros membros da organização criminosa para coordenar a destruição de provas ou intimidar testemunhas, comprometendo a integridade das investigações em curso.

Para que a colaboração premiada seja validada e homologada pelo STF, a defesa precisará apresentar novos anexos com informações substanciais sobre o esquema de fraudes no Banco Master, que envolve uma teia complexa de 216 fundos e 143 empresas. Vorcaro é apontado como o líder da organização, e os custos da quebra da instituição já ultrapassam R$ 57 bilhões.