Bastidor: mandato-tampão deve ficar com um deputado

A dupla vacância da chefia do Executivo Estadual em função de de eventuais renúncias em abril da governadora Fátima Bezerra (PT) e do vice-governador Walter Alves (MDB), que pretendem concorrer a mandatos legislativos no primeiro turno das eleições em 4 de outubro, forçará a realização de eleição indireta para o cargo de governador na Assembleia Legislativa.
Nos bastidores políticos, o sentimento interno na Casa, é de que o candidato para o mandato “tampão” de oito meses, o que também garantiria direito à reeleição, saia dentre os 24 deputados estaduais.
O que se comenta é que com o candidato da Casa, viabiliza mais diálogo político, facilitando, inclusive, as campanhas de reeleição dos parlamentares.
Caso se configure a necessidade de um mandato tampão, o novo governador será decidido pelos 24 deputados estaduais numa eleição a ser realizada 30 dias após a indicação de um governador interino – advindo das renúncias da governadora, do vice e do presidente da Assembleia.
Nesse caso, qualquer pessoa poderá ser candidata para passar pelo escrutínio dos parlamentares, mesmo que não seja deputado.
Para o deputado estadual Luiz Eduardo, que está de saída do Solidariedade para o Partido Liberal (PL), o Rio Grande do Norte “precisa, neste momento, de uma gestão totalmente contrária ao que faz o PT”.
Luiz Eduardo avalia a possibilidade da própria governadora Fátima Bezerra indicar o candidado a sucessor, como já se ventila o nome do deputado Francisco do PT.
“Então, eleger um petista para o Governo seria um erro, apesar de saber que o deputado Francisco é uma pessoa muito educada e de boa índole. Mas o RN não merece uma overdose de PT”, disse Luiz Eduardo, que vai conversar com os deputados de oposição antes de emitir qualquer opinião concreta sobre o assunto.
Na lista das especulações de que também poderia ser nome viável para concorrer ao governo na eleição indireta, assim como outro decano da Casa, o deputado Vivaldo Costa (PV), que já foi governador.
O deputado estadual José Dias (PL), um dos mais experientes da Casa, descarta qualquer possibilidade nesse sentido em virtude das dificuldades financeiras do Estado, cujo déficit previsto para o orçamento de 2026 é de R$ 1,5 bilhão: “Nunca me julguei competente para administrar o caos. Se administrar a coisa pública já é difícil, porque envolve muitas qualidades que eu reputo, que eu não sei se eu possuo. Agora, o caos não, o caos eu não tenho condições, não. E o que vão deixar para o Rio Grande do Norte é uma das coisas mais lamentáveis que você pode imaginar”.
Já o deputado estadual Ubaldo Fernandes (PSDB) disse que o deputado Francisco do PT “é um bom nome”, porque já foi prefeito de Parelhas, na região do Seridó, “e tem uma experiência enorme”.
Fernandes afirmou que seu companheiro na base aliada do governo “transita muito bem em todas as alas da Assembleia Legislativa, tanto da situação como também a oposição É um nome acessível, muito consistente”.
O deputado Gustavo Carvalho (PL) disse que “só se pronunciará sobre estes assuntos” após reunião com o presidente estadual do partido, senador Rogério Marinho, e outros cinco colegas deputados do PL.
O deputado estadual Nelter Queiroz (PSDB) também se abstêm de tratar sobre essa hipótese política: “Prefiro não falar”.
TRIBUNA DO NORTE
