Bullying na infância deixa marcas para a vida inteira, alerta psiquiatra

A prática do bullying, comum desde a infância e a adolescência, pode deixar consequências duradouras na saúde mental e no desenvolvimento emocional, com reflexos que se estendem até a vida adulta. Segundo a psiquiatra Adriane Caldas, o impacto vai além de episódios isolados e pode comprometer a formação da personalidade, a autoestima e a capacidade de interação social ao longo da vida.
“O bullying normalmente se desenvolve desde a infância, no processo de construção da personalidade dessa pessoa”, afirmou, em entrevista à Jovem Pan Natal. De acordo com a médica, a criança vítima desse tipo de violência tende a crescer em estado de alerta constante, o que prejudica tanto o aprendizado quanto as habilidades sociais. “Essa criança pode ficar mais introvertida, pode atrapalhar muito o desenvolvimento dela nas habilidades sociais e também o aprendizado”, disse.
A exclusão social é um dos efeitos mais recorrentes. Crianças e adolescentes que não se sentem pertencentes a um grupo enfrentam dificuldades ainda maiores na adolescência, fase em que as relações sociais ganham centralidade. O problema se agrava entre aqueles considerados diferentes, seja por características físicas, comportamentais ou por condições como o autismo. “Muitas vezes, ele não se sente pertencente a um grupo, e como é sofrido para eles na adolescência”, relatou.
Na prática clínica, os efeitos aparecem de forma indireta. A psiquiatra afirma que muitos pacientes chegam ao consultório com quadros de ansiedade, depressão ou fobia social, sem identificar imediatamente a origem desses sintomas. “Muitas vezes, eu estou vendo só a ponta do iceberg, mas não o que está em submersão”, disse. Segundo ela, experiências negativas na infância podem comprometer o alicerce emocional, afetando a autoconfiança e a forma como o indivíduo lida com situações ao longo da vida.
O tratamento, segundo Adriane Caldas, exige mais do que o controle dos sintomas. Envolve a investigação da origem emocional dos problemas e, em muitos casos, a combinação de acompanhamento psiquiátrico com psicoterapia. “A gente tem que ver de onde é que vem a origem de tudo isso, o alicerce disso”, disse.
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