Cadu fez análise fiscal do Governo e Fátima critica ruptura de aliados

Postado em 12 de fevereiro de 2026

Praticamente 60% da dívida consolidada do Estado é proveniente de precatórios. O dado foi apresentado por ocasião do encontro da governadora Fátima Bezerra (PT) com jornalistas, ocorrido na manhã de quarta-feira (10), no Museu da Rampa, em Santos Reis.

Segundo a área econômica do governo, a dívida consolidada com precatórios, que era de R$ 4,1 bilhões em 2018, saltou para R$ 9 bilhões em 2025. O comprometimento com a receita corrente líquida em sete anos foi de 44,9% a 46,41%.

O secretário estadual da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, informou que a dívida consolidada sem os precatórios, era de R$ 3,3 bilhões em 2018 e no ano passado chegou a R$ 3,7 bilhões, o índice de comprometimento da receita líquida era de 36,77% e em 2025 caiu a 19,06%.

Mas, segundo Cadu Xavier, o pagamento dos precatórios – dívidas de processos judiciais trabalhistas de servidores públicos provenientes de planos de cargos e carreiras – “não foram constituídos no atual governo”.

Já a dívida financeira líquida também apresentou redução. Em 2018, somava R$ 3,5 bilhões, equivalentes a 38,58% da RCL. Em 2025, o montante caiu para R$ 3,4 bilhões: R$ 100 milhões a menos, representando 17,68% da receita. Para 2026, a estimativa é que a dívida fique abaixo de 15% da RCL.

Cadu Xavier disse que não procedem informações de que a folha salarial dos servidores públicos vai crescer 30% em 2026. “Com todo o compromisso que a governadora tem com a valorização do serviço público, ninguém é irresponsável de fazer algo nesse sentido, ainda mais no ano eleitoral por todas as consequências que os nossos CPFs poderiam ter”, disse.

Xavier acrescentou que o comprometimento de gasto com o pessoal está numa trajetória de queda, “uma trajetória controlada, devendo chegar a 54% da receita líquida ao final deste ano”.

Cadu Xavier destacou que em 2018, o gasto com pessoal representava 63,64% da RCL, com quatro folhas salariais em atraso. Em 2025, o índice caiu para 56%, com salários em dia, política de valorização dos servidores e realização de concursos públicos.

Eleição indireta

A governadora Fátima Bezerra falou sobre as obras que estão em andamento, principalmente na área líquida e recuperação e construção de estradas, mas também abordou questões políticas, como a eleição indireta para governador na Assembleia Legislativa, caso haja vacância do cargo em abril.

“Não temos maioria na Assembleia Legislativa pra eleger o nosso candidato”, admitiu ela, mas ressaltando que os grupos que apoiam as pré-candidaturas do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), e do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), estão na mesma situação.

“Isso significa que o jogo está em aberto, os dados estão na mesa. O que nós estamos fazendo, intensificando as conversas, com a participação direta da própria governadora junto ao seu grupo político”, disse a governadora, que depois dp Carnaval deve se reunir com os partidos que integram a Federação Brasil da Esperança (PT/PC do B/PV) e aliados – PSOL, PDT e PSB para discutir a questão – até porque tem o prazo legal e temos pressa para organizar cada vez mais a nossa campanha”, afirmou Fátima.

Questão do vice

Fátima Bezerra também lamentou a forma “abrupta” como o vice-governador Walter Alves (MDB) deixou o governo para abraçar a pré-candidatura a governador de um adversário político, Allyson Bezerra).

“É um adversário que detona com o governo do qual, fez parte. Então, assim, eu lamento, tudo bem, tenho um respeito, mas lamento”, afirmou no encontro.

Para Fátima, o vice-governador “cometeu um equívoco e se precipitou, acho que talvez ele tenha jogado fora a chance mais especial que ele tinha na vida dele de ser eleito governador”, considerou.

Fátima complementou que foi pega de surpresa pela decisão de Walter Alves de não assumir o governo, já que o combinado seria ele assumir e ir para a reeleição com apoio do PT e aliados. “Isso foi inesperado na forma e no conteúdo, já que não havia sinais disso antes e também contradizia o que estava sendo negociado, incluindo a recomposição da presença do MDB na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal”.

A governadora declarou que estava envolvida em acordos e estratégias para apoiar Walter, inclusive na formação de nominatas “quando a mudança aconteceu abruptamente”.

TRIBUNA DO NORTE