Campanha alerta para avanço do câncer do cólon e reto no RN

Postado em 4 de março de 2026

O câncer do cólon e reto, também chamado de câncer colorretal (CCR), segue avançando no Brasil e já ocupa posição de destaque entre os tumores mais incidentes no país. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer, são mais de 45 mil novos casos por ano, com tendência de crescimento, inclusive entre pessoas mais jovens. O cenário motiva a mobilização nacional da campanha Março Azul-Marinho, que reforça a importância da informação, da prevenção e do diagnóstico precoce.

No Rio Grande do Norte, a atenção ao tema ganha ainda mais relevância. Pelas estimativas do INCA para 2026, o câncer colorretal será o quarto tipo de câncer mais incidente no estado, com previsão de 580 novos diagnósticos, ficando atrás apenas dos cânceres de pele, mama e próstata.

De acordo com a gastroenterologista Verônica Sousa Vale, presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed/RN), o câncer colorretal está entre os tumores que mais preocupam pela elevada mortalidade. “O CCR é o que tem alta mortalidade, pode acometer pessoas de ambos os sexos na faixa etária acima dos 60 anos, porém cada dia essa tendência está sendo modificada e aumentando em pacientes jovens a partir dos 40 anos”, alerta. No Brasil, segundo ela, a doença já figura como a terceira causa entre todos os tipos de câncer.

Apesar da gravidade, a especialista destaca que se trata de um câncer amplamente prevenível e que as sociedades Americana e Brasileira de Gastroenterologia e de Endoscopia Digestiva preconizam a realização do exame de colonoscopia a partir dos 45 anos. Antes dessa idade, o rastreamento é indicado quando há sinais de alerta. “Sangramento nas fezes, alterações bruscas do hábito intestinal, seja para diarreia ou constipação, dor abdominal, anemia e perda de peso. Há necessidade de procurar um médico para realizar a colonoscopia”, alerta.

A colonoscopia é apontada como o principal exame de prevenção para identificar se existem pólipos, que são pequenos tumores, ou lesões que podem crescer. “Dependendo do tipo, ele pode evoluir para o câncer colorretal”, explica Verônica.

Segundo ela, a grande vantagem do exame é a possibilidade de tratamento imediato. “Se diagnosticado precocemente, a chance de cura é muito grande, porque essas lesões, quando pequenas, podem ser retiradas no momento do exame”, destaca.

Outro ponto de atenção é o crescimento da incidência da doença em pessoas mais jovens. A médica associa esse movimento a mudanças no estilo de vida. “O aumento nesses pacientes decorre de vários fatores, entre eles o consumo de álcool, tabagismo, incluindo cigarros eletrônicos, sedentarismo, ingestão de alimentos processados, obesidade e doenças inflamatórias intestinais”, afirma. Essas condições, segundo ela, impactam diretamente a microbiota intestinal e aumentam o risco de desenvolvimento do câncer.

A prevenção passa, necessariamente, por mudanças de hábitos. “Recomenda-se alimentação saudável, prática regular de atividade física, retirada do cigarro e redução do consumo excessivo de bebidas alcoólicas”, orienta. Pacientes com doenças inflamatórias intestinais, como retocolite ulcerativa, doença de Crohn e doença celíaca, também precisam de acompanhamento médico contínuo. “Esse seguimento regular é fundamental para prevenir o CCR nesses grupos”, acrescenta.

TRIBUNA DO NORTE