Carnaval: alta nos preços impacta venda de bebidas no RN

O Carnaval, tradicionalmente um dos períodos mais movimentados para o setor de bebidas, aquece as vendas e estimula o consumo em todo o país. Com o calor intenso registrado nos últimos meses, é esperado que a procura por cervejas, refrigerantes e água mineral cresça significativamente, impulsionada pela necessidade de hidratação e pelo clima de festa. No entanto, o aumento dos preços tem impactado o mercado, freando a demanda em algumas distribuidoras e preocupando comerciantes.
Dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, mostram que o preço da cerveja acumulou alta de 4,7% nos últimos 12 meses, enquanto as bebidas destiladas sofreram um reajuste ainda maior, de quase 5,8%. Para quem não consome álcool, o cenário também não é favorável: os preços médios de refrigerantes e água mineral subiram mais de 6,8% no mesmo período, todos acima da inflação média registrada no país, que foi de 4,56%.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Cervejas, Refrigerantes, Águas Minerais e Bebidas em Geral do RN (SICRAMIRN), Joafran Nobre, explica que o verão é um período de alta demanda, impulsionado tanto pelo calor quanto pelo próprio Carnaval. “A demanda é crescente nestes meses, especialmente pela ocorrência de altas temperaturas, que exigem a reposição hídrica das pessoas através não só de águas minerais e adicionadas de sais, mas de bebidas em geral”, afirma.
Ele destaca que o crescimento das vendas tem sido observado desde novembro e deve se manter até o fim da festa carnavalesca, quando a tendência, segundo ele, é de retração. “A expectativa se mantém, porque a hidratação é uma necessidade que deve ser suprida, especialmente numa festa como o Carnaval, que exige muito de todos os participantes. É uma festa de participação maciça do povo brasileiro”, pontua.
A lógica do mercado segue o princípio da oferta e demanda, conforme explica Joafran. “Os preços sempre acompanham a lógica do binômio oferta x demanda, além de refletirem todos os aumentos de insumos e de tributos inseridos no produto final”, afirma.
Os foliões costumam consumir bebidas nos próprios blocos, em festas privadas e nos pontos de venda espalhados pelas ruas e praias. Para atender a essa demanda, comerciantes reforçam estoques e investem em promoções. No entanto, a alta nos preços tem desestimulado parte do público, refletindo em um desempenho abaixo do esperado em algumas distribuidoras.
Marcos Mariano, gerente de uma distribuidora de bebidas em Natal, afirma que as vendas deste ano estão mais fracas no seu estabelecimento comparando-se ao mesmo período de 2023. “Em relação aos anos passados, está fraco. Muito fraco mesmo. Estamos vendendo, só não está no esperado que a gente queria. Caiu uns 10% em relação ao mesmo período de 2024, quando nessa época o movimento já estava grande”, diz.
Para ele, os preços elevados têm sido um fator determinante para essa queda. “A bebida ficou mais cara, acho que é decorrente disso e também porque o dinheiro não está girando. A gente já lançou algumas promoções para atrair os clientes, deixando até pelo preço de custo, e mesmo assim não alavancou”, relata.
Com o Carnaval ainda se aproximando, o setor mantém a expectativa de que as vendas melhorem até lá. Contudo, para Mariano, o pós-folia do Momo já preocupa. “Aí vai chegar tempo mais frio e as vendas caem. Também acredito que o aumento do ICMS para 20% em abril vai impactar, porque teremos que repassar o acréscimo de 2% do imposto no preço final dos produtos”, afirma.
Tribuna do Norte