Casos de antissemitismo crescem 150% no Brasil entre 2022 e 2025

Postado em 31 de março de 2026

O número de casos de antissemitismo no Brasil registrou aumento de 150% entre 2022 e 2025, segundo levantamento divulgado pela Confederação Israelita do Brasil (Conib). Apesar de uma leve redução em relação ao pico observado em 2024, o cenário permanece elevado e é considerado motivo de preocupação pelas entidades responsáveis pelo monitoramento.

De acordo com os dados, foram contabilizadas cerca de mil ocorrências em 2025. A maior parte dos episódios ocorre no ambiente digital, que concentra aproximadamente 80% dos registros. Redes sociais, fóruns e aplicativos de mensagens aparecem como os principais meios de disseminação de conteúdos antissemitas.

O levantamento também indica crescimento na intensidade e na frequência das manifestações. Em 2025, foram identificados mais de 115 mil conteúdos com teor antissemita, com alcance estimado de dezenas de milhões de pessoas. A difusão dessas mensagens tem se ampliado, especialmente em plataformas com menor moderação.

A pesquisa revela ainda impactos diretos na rotina da comunidade judaica. Entre os entrevistados, 86% consideram o antissemitismo um problema real no Brasil, enquanto 22% afirmam já ter deixado de se identificar como judeus em determinadas situações por medo de sofrer discriminação ou violência.

Relatos apontam mudanças de comportamento no cotidiano, como evitar o uso de símbolos religiosos e culturais em público. O receio de agressões, tanto verbais quanto físicas, tem levado parte da população a adotar medidas de autoproteção.

No ambiente educacional, escolas e universidades aparecem como espaços recorrentes de manifestações antissemitas, apontados por 75% dos entrevistados. O cenário também se reflete no mercado de trabalho, onde parte dos profissionais relata episódios de discriminação direta ou indireta.

O estudo destaca ainda que metade dos entrevistados afirma ter contato com conteúdos antissemitas diariamente ou com frequência elevada. Ao mesmo tempo, cresce a migração desse tipo de material para espaços digitais menos regulados, o que dificulta a identificação e a responsabilização dos autores.

Especialistas apontam que o aumento dos casos está relacionado a fatores diversos, incluindo a polarização política, a disseminação de desinformação e o impacto de conflitos internacionais. Episódios recentes envolvendo tensões no Oriente Médio são citados como elementos que influenciam a ampliação desse tipo de discurso.

Outro ponto de debate envolve os limites entre liberdade de expressão e discurso de ódio. Entidades reforçam a necessidade de diferenciar críticas legítimas de manifestações discriminatórias, especialmente em contextos sensíveis.

Para especialistas e representantes da comunidade judaica, o enfrentamento do antissemitismo passa por ações integradas que envolvem educação, políticas públicas e monitoramento do ambiente digital. A ampliação do debate e o fortalecimento de mecanismos de denúncia são apontados como caminhos para conter o avanço do problema.

O cenário atual, segundo as entidades, reforça a necessidade de atenção contínua e de medidas que garantam a segurança e o respeito à diversidade religiosa e cultural no país.

Por O Correio de Hoje