Consulado do Brasil em Lisboa recebe passaporte de Eliza Samudio, morta em 2010

O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa confirmou, na manhã desta terça-feira (6), que recebeu um passaporte atribuído a Eliza Samudio, atriz e modelo paranaense morta em 2010. De acordo com o órgão, o documento chegou ao consulado na sexta-feira (2) e permanece sob análise.
O caso voltou a ganhar repercussão após o Portal Leo Dias divulgar que o passaporte teria sido localizado em um imóvel em Portugal no fim de 2025. Segundo a publicação, o documento foi encontrado em um apartamento alugado, guardado entre livros em uma estante, por um homem que não teve a identidade revelada.
Ainda conforme o consulado, aguarda-se uma orientação do Itamaraty para definir qual será a destinação do passaporte.
Posicionamento da família
Em entrevista à CNN Brasil, o irmão de Eliza, Arlie Moura, de 27 anos, afirmou acreditar que o documento seja autêntico, embora ressalte que não há confirmação oficial das autoridades até o momento.
Segundo Arlie, informações como filiação, data de nascimento e nome completo que constam no passaporte coincidem com os dados da irmã. Apesar disso, ele destacou cautela: “Não posso bater o martelo”, disse, acrescentando que, com os elementos conhecidos até agora, considera plausível que o documento pertença a Eliza.
O irmão também relatou que soube do caso por meio da imprensa e afirmou que segue aguardando novos esclarecimentos oficiais.
Relembre o caso
Eliza Samudio desapareceu em 4 de junho de 2010, aos 25 anos, após informar amigos que faria uma viagem. Desde então, nunca mais foi vista e passou a ser considerada morta após confissões de envolvidos no crime.
Entre o final de 2008 e o início de 2009, Eliza teve um relacionamento com o então goleiro Bruno Fernandes de Souza, que atuava pelo Flamengo. O relacionamento era extraconjugal, e a atriz engravidou, tornando pública a paternidade do atleta, que negou assumir o filho.
Durante a gestação, Eliza registrou boletins de ocorrência. O filho do casal, Bruninho, nasceu em fevereiro de 2010. Em junho do mesmo ano, Eliza desapareceu, sendo o último local apontado o sítio de Bruno, em Minas Gerais.
No local, a polícia encontrou pertences pessoais, como roupas e fraldas, e o filho de Eliza foi localizado posteriormente na periferia de Belo Horizonte. Os restos mortais da atriz nunca foram encontrados.
Investigados e condenados apresentaram versões que indicam estrangulamento e esquartejamento, embora essas versões não tenham sido comprovadas materialmente. O ex-goleiro Bruno foi condenado a 20 anos de prisão, apontado como mentor do crime, apesar de nunca ter confessado a premeditação.
O caso segue sendo um dos episódios mais emblemáticos da crônica policial brasileira, agora novamente em evidência após o surgimento do passaporte em Portugal.
Com informações da CNN Brasil
