Dia Mundial do Rim: hábitos comuns do dia a dia podem prejudicar a saúde renal

Postado em 12 de março de 2026

Celebrado nesta quinta-feira (12), o Dia Mundial do Rim reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce das doenças renais. Em entrevista ao SBT News, a nefrologista Dra. Daphnne Camaroske, da Fênix Nefrologia, alertou que hábitos cotidianos aparentemente inofensivos, como beber pouca água, consumir muito sal, exagerar em proteínas e usar anti-inflamatórios com frequência, podem prejudicar silenciosamente os rins.

A Doença Renal Crônica (DRC), antes considerada uma “ameaça silenciosa”, tornou-se uma crise global de saúde pública. Segundo estudo publicado em novembro de 2025 na revista científica The Lancet, o número de pessoas com função renal reduzida quase dobrou nas últimas três décadas: passou de 378 milhões em 1990 para 788 milhões em 2023. Hoje, cerca de 14% dos adultos no mundo convivem com a doençaque já é a nona principal causa de morte global, responsável por aproximadamente 1,5 milhão de óbitos por ano.

Segundo a Dra. Daphnne Camaroske, o problema muitas vezes começa em comportamentos considerados normais no dia a dia.

“Muitos hábitos comuns hoje são pequenas agressões repetidas aos rins. Eles têm grande capacidade de compensação, por isso a perda de função pode evoluir durante anos sem sintomas”, explica.

Entre as principais causas da doença renal estão hipertensão arterial e diabetes, condições altamente prevalentes e muitas vezes mal controladas. Dados do Censo Brasileiro de Diálise indicam que a hipertensão é a principal causa de doença renal crônica entre pacientes em diálise no país, enquanto o diabetes responde por cerca de 32% dos casos. Estima-se ainda que entre 20% e 40% das pessoas com diabetes desenvolvam doença renal ao longo da vida.

Hábitos que podem prejudicar os rins

Uso frequente de anti-inflamatórios e analgésicos

O uso recorrente desses medicamentos para dores musculares, cólicas ou ressacas pode comprometer o fluxo sanguíneo nos rins. Segundo a médica, esses remédios reduzem a produção de substâncias responsáveis por manter os vasos renais dilatados, o que faz com que o sangue chegue com menos força aos filtros dos rins e reduza a capacidade de filtração.

Pessoas idosas, hipertensas, diabéticas ou desidratadas apresentam risco ainda maior.

Dietas hiperproteicas

O consumo excessivo de proteína, principalmente de origem animal, pode provocar hiperfiltração renal, aumentando a sobrecarga dos rins ao longo do tempo.

A nefrologista explica que, em pessoas totalmente saudáveis, esse hábito pode não causar problemas imediatos. No entanto, muitas pessoas já apresentam fatores de risco, como hipertensão ou diabetes, sem saber, o que pode acelerar a perda da função renal.

Desidratação constante

Beber pouca água diariamente mantém os rins sob estresse contínuo e pode favorecer cálculos renais e infecções urinárias.

A médica afirma que a sede costuma ser o primeiro sinal de que os estoques de água do organismo estão diminuindo. Outros sintomas incluem boca seca, pele ressecada, dor de cabeça, fadiga e até prisão de ventre.

Ela também destaca que a cor da urina pode indicar o nível de hidratação: tonalidades amarelo-claro ou amarelo-palha geralmente indicam hidratação adequada.

Excesso de sal e alimentos ultraprocessados

O consumo elevado de sódio está diretamente associado ao aumento da pressão arterial, um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença renal crônica.

Segundo a especialista, o excesso de sal faz com que o corpo retenha mais líquido, obrigando os rins a trabalhar sob maior sobrecarga.

Alimentos ultraprocessados, como embutidos, molhos prontos e refrigerantes, também concentram grandes quantidades de sódio, fósforo, açúcar e gorduras de baixa qualidade, fatores que favorecem inflamação crônica e doenças metabólicas.

Consumo excessivo de álcool

A nefrologista explica que o álcool interfere no equilíbrio hídrico do organismo e na regulação da pressão arterial, duas funções essenciais para o funcionamento adequado dos rins. Em situações de consumo excessivo, especialmente quando associado à desidratação ou ao uso de medicamentos, pode ocorrer lesão renal aguda.

Doença silenciosa

Os rins trabalham continuamente filtrando o sangue, eliminando toxinas, regulando a pressão arterial e mantendo o equilíbrio de minerais no organismo.

“O grande problema é que a doença renal costuma ser silenciosa. A pessoa pode perder grande parte da função dos rins sem apresentar sintomas”, alerta a médica.

Por isso, exames simples podem fazer a diferença no diagnóstico precoce. Testes de creatinina no sangue e exame de urina são capazes de identificar alterações ainda nas fases iniciais da doença. Além disso, manter pressão arterial e glicemia controladas é uma das formas mais eficazes de preservar a função renal ao longo da vida.

sbt