“Ele terá que prestar contas”: Lula fala sobre investigação envolvendo Lulinha

Postado em 2 de outubro de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (1), que duvida que o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tenha feito lobby ou conversado com ministros do governo para tratar de negócios ou contratos públicos. A declaração foi dada durante entrevista ao Flow Podcast, em meio às investigações da Polícia Federal sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo o filho do presidente e a lobista Roberta Luchsinger.

“Eu duvido que meu filho tenha feito lobby com qualquer ministro meu. Duvido que meu filho tenha conversado com alguém a respeito disso”, declarou.

Lula afirmou, no entanto, que Lulinha deverá prestar contas caso as investigações apontem a prática de alguma irregularidade. O presidente disse ainda que não pretende utilizar a estrutura do governo para proteger o filho.

“Ele sabe que vai ter da minha parte de solidariedade, mas ele terá que prestar contas à sociedade. Justo. Ele e qualquer um”, afirmou.

Relação com Roberta Luchsinger

Durante a entrevista, Lula também foi questionado sobre a relação de Lulinha com Roberta Luchsinger, investigada pela PF por suspeita de tráfico de influência. O presidente negou conhecer a empresária e afirmou que eventuais fotografias ao lado dela não seriam suficientes para comprovar uma relação de proximidade.

“Eu não conheço essa Roberta. Posso ter tirado foto com ela, como eu tiro de um milhão de pessoas. Acho que ninguém tira mais fotos do que eu nesse mundo”, declarou Lula.

A Polícia Federal investiga se Roberta Luchsinger atuou em conjunto com pessoas próximas a Lulinha para intermediar interesses privados junto a órgãos do governo federal. Entre as apurações estão tratativas relacionadas à comercialização de cannabis medicinal e outros negócios envolvendo empresas privadas.

As investigações também analisam mensagens e pagamentos envolvendo Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. A PF apontou que Roberta teria realizado pagamentos de R$ 217 mil referentes a despesas de Marcola em 2024. A defesa dele afirma que os valores eram relativos a um empréstimo pessoal e nega qualquer atuação em negociações ou licitações do governo.

Suspeitas envolvendo o governo

A apuração policial também examina possíveis contatos de Roberta com integrantes do governo para tratar de interesses empresariais. Em um dos casos investigados, estão negociações relacionadas à venda de produtos de cannabis medicinal ao Ministério da Saúde.

Segundo a PF, mensagens analisadas no inquérito indicam que Roberta dizia falar em nome de Lulinha e utilizava a expressão “Eu sou o Fábio”. A defesa do filho do presidente contesta as acusações e questiona a divulgação de informações da investigação.

O Ministério de Minas e Energia nega que o ministro Alexandre Silveira tenha sido procurado para interferir em uma disputa comercial envolvendo a Unigel e a Petrobras.

Durante a entrevista, Lula também foi questionado sobre a informação de que Lulinha receberia R$ 300 mil mensais em um suposto esquema relacionado ao “Careca do INSS”. A defesa do filho do presidente nega a acusação.

Ao comentar as suspeitas, Lula afirmou que, caso seja comprovada a prática de algum crime, Lulinha deverá responder pelos próprios atos, assim como qualquer outra pessoa.

Com informações do Metrópoles