Eleição de Fátima Bezerra para o Senado é ‘questão central’, afirma dirigente do PT nacional

O dirigente nacional do PT José Guimarães afirmou nesta sexta-feira 6 que a eleição da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, para o Senado deve estar entre as prioridades do partido para o pleito de 2026. “Tem que ser encarada como uma questão central para nós a eleição da Fátima para senadora do Rio Grande do Norte”, declarou Guimarães.
A fala de Guimarães, que é deputado federal pelo Ceará e atual coordenador de Tática Eleitoral do PT, aconteceu em uma mesa de debate dentro das celebrações dos 46 anos do PT. O evento foi iniciado na quinta-feira 5 e vai até este sábado 7 em um hotel de Salvador (BA). Lideranças do RN participam, entre eles a governadora Fátima Bezerra, a presidente estadual do partido, Samanda Alves, e a deputada federal Natália Bonavides, além do pré-candidato ao Governo do Estado Cadu Xavier.
No discurso durante o evento, Guimarães lembrou que a disputa do Senado pelo Rio Grande do Norte se torna ainda mais importante em razão de ser o estado de origem do senador Rogério Marinho (PL), líder da oposição no Senado e coordenador da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. “Não é uma questão menor, não, porque lá está o centro do bolsonarismo”, afirmou o deputado cearense, ao se referir ao RN.
Diante de Guimarães, Fátima Bezerra voltou a reafirmar sua pré-candidatura ao Senado. “Quero dizer mais uma vez que meu nome está sim à disposição para disputar uma das vagas para o Senado, pelo PT do Rio Grande do Norte e com os nossos demais partidos aliados”, declarou a governadora.
Ela disse que a candidatura passa pela necessidade do fortalecimento da bancada progressista no Senado. Segundo a governadora, o freio ao avanço do bolsonarismo na Casa é necessário “para a estabilidade democrática, para a defesa da democracia”.
Além disso, a governadora afirmou que sua ida para o Senado serviria para dar “apoio imprescindível” a um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Para que a gente possa avançar cada vez mais no combate às desigualdades sociais e trazendo bem-estar, cidadania e direito para o nosso povo”, afirmou Fátima.
Incerteza sobre sucessão no RN
A reafirmação da pré-candidatura de Fátima Bezerra ocorre em um momento de indefinição sobre o futuro político do Estado. Caso mantenha o interesse de concorrer ao Senado, a governadora terá de renunciar ao cargo atual até o dia 4 de abril. O sucessor natural seria o vice-governador Walter Alves (MDB). Ele, no entanto, já declarou que também deixará o cargo para ficar apto à corrida para deputado estadual.
Diante desse cenário, o PT tem defendido o nome do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, para a eleição indireta que a Assembleia Legislativa teria de realizar para escolher um governador e um vice-governador para encerrarem o mandato até 5 de janeiro de 2027. Deputados estaduais, porém, resistem ao nome de Cadu, já que ele também será candidato na eleição de outubro — assumir o governo em abril lhe daria vantagem na disputa.
Neste cenário, outros nomes surgem como alternativa para concorrerem ao mandato tampão. Entre eles, estão os deputados estaduais Francisco do PT e Vivaldo Costa (PV).
Nos bastidores, porém, não é descartada a possibilidade de Fátima Bezerra não renunciar e, portanto, desistir da candidatura ao Senado. Essa seria uma estratégia para evitar que o governo fosse comandado pela oposição depois de abril, com o PT perdendo o controle da máquina estadual durante o pleito.
Nesta semana, em entrevista à rádio 96 FM, o próprio Cadu Xavier chegou a sugerir que Fátima pode permanecer no cargo. “A última cartada é dela. Se a gente tiver segurança — e nós estamos trabalhando para isso —, essa cartada vai ser a renúncia. Mas, se não criarmos esse ambiente de maioria que nos dê tranquilidade para esse processo, o que é inimaginável é a gente passar o governo para a mão da oposição durante o processo eleitoral. Isso seria um suicídio político”, afirmou o secretário.
No dia seguinte, porém, em entrevista ao AGORA RN, a presidente do PT afirmou que a candidatura de Fátima Bezerra ao Senado é o “plano A, B e C” do PT para o pleito de 2026.
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