Eleição presidencial pode ter só candidatos homens

Postado em 7 de abril de 2026

O cenário das pré-candidaturas à Presidência da República, após o fim da janela partidária, não inclui até o momento nenhuma mulher. Caso se confirme, será a primeira eleição desde 2002 disputada apenas por homens. Hoje, os principais nomes colocados são o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), além de outros seis pré-candidatos.

Entre eles estão os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, que deixaram seus cargos para disputar o Planalto. Também se colocaram na corrida Aldo Rebelo (DC), Renan Santos (Missão), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Augusto Cury (Avante).

O quadro contrasta com a eleição de 2022, quando quatro mulheres concorreram à Presidência, o maior número do século. Entre elas estavam Simone Tebet e Marina Silva, que atualmente não são cotadas para a disputa ao Planalto. Tebet confirmou candidatura ao Senado em São Paulo, enquanto Marina também deve disputar vaga na Casa. Outras candidatas naquele pleito foram Soraya Thronicke, além de nomes como Sofia Manzano e Vera Lúcia.

Desde 2006, todas as eleições presidenciais contaram com ao menos duas mulheres na disputa. Em 2002, a ausência feminina ocorreu após a retirada da candidatura de Roseana Sarney.

Para especialistas, o atual cenário reflete entraves estruturais dentro dos partidos. “Tirando a Dilma, que disputou as eleições porque o Lula a indicou, todas as candidaturas de mulheres nas eleições presidenciais desde 2002 não tinham alta competitividade. A Tebet, caso mais recente, em 2022, teve uma boa colocação para uma primeira candidatura, mas não contou com apoio consistente do seu próprio partido em vários estados”, afirma Lilian Sendretti, pesquisadora do Cebrap, em entrevista ao jornal O Globo.

Segundo ela, o problema está na própria organização partidária. “As estruturas partidárias continuam sendo majoritariamente masculinas, seja nas instâncias internas de tomada de decisão, seja na proporção de candidaturas e no quanto os partidos investem nessas campanhas.”

A pesquisadora Juliana Fratini, doutora em ciência política pela PUC-SP, destaca que os avanços recentes na participação feminina ocorreram principalmente por atuação da Justiça Eleitoral, que fiscaliza o cumprimento das cotas de gênero. A regra exige que partidos tenham entre 30% e 70% de candidaturas de cada sexo, com punições em caso de descumprimento.

“O Judiciário foi a instituição que mais contribuiu para o ingresso da mulher na política institucional nos últimos anos, devido à verificação do cumprimento das cotas, tanto no quesito de vagas quanto no repasse de recursos”, afirma Fratini.

Ela ressalta, porém, que a norma vale apenas para eleições proporcionais, como para deputado e vereador, e não se aplica às disputas majoritárias, como a presidencial.

Fratini também aponta que, diante das limitações estruturais, a visibilidade feminina tem se concentrado em outras figuras políticas, como as primeiras-damas. “Como estratégia, isso acaba concentrando visibilidade nas primeiras-damas, enquanto nem as ministras indicadas por esses presidentes ganharam a mesma relevância. Com isso, não há estímulo nem referências femininas fortes com protagonismo político”, diz.

O resultado, segundo especialistas, é um cenário em que a presença feminina na disputa pelo principal cargo do país permanece condicionada a fatores políticos e institucionais que ainda limitam sua competitividade.

Pré-candidatos ao Planalto em 2026
Nomes colocados na disputa até o momento:

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Flávio Bolsonaro (PL)
Ronaldo Caiado (PSD)
Romeu Zema (Novo)
Aldo Rebelo (DC)
Renan Santos (Missão)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Augusto Cury (Avante)
Últimas candidatas à Presidência
2022

Simone Tebet (MDB)
Soraya Thronicke (União Brasil)
Sofia Manzano (PCB)
Vera Lúcia (PSTU)
2018

Marina Silva (Rede)
Vera Lúcia (PSTU)
2014

Dilma Rousseff (PT)
Marina Silva (PSB)
Luciana Genro (Psol)
2010

Dilma Rousseff (PT)
Marina Silva (PV)
2006

Heloísa Helena (Psol)
Ana Maria Rangel (PRP)

Por O Correio de Hoje