Emparn prevê chuvas dentro da normalidade entre março e maio

A Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) prevê chuvas dentro da normalidade no Estado entre março e maio deste ano. Boletim divulgado na manhã desta segunda-feira (02) indica que a tendência depende da manutenção do atual cenário climático, marcado por La Niña fraca no Pacífico, aquecimento do Atlântico Sul e resfriamento do Atlântico Norte.
Março é um dos meses que mais chove no Rio Grande do Norte. Este ano, o mês deverá apresentar precipitações dentro do padrão normal, variando entre índices acima de 100 mm na região Agreste até valores superiores a 200 mm no Alto Oeste. As chuvas nesse período são provenientes da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).
Assim como março, abril também está entre os meses mais chuvosos no interior do Estado. A previsão é de chuvas dentro do padrão normal, variando entre índices acima de 100 mm no Agreste até valores superiores a 200 mm no Alto Oeste, também influenciadas pela atuação da ZCIT.
O mês de maio marca o fim do período chuvoso nas regiões Oeste e Central. A tendência é de redução nos índices pluviométricos, devido ao deslocamento da Zona de Convergência Intertropical para o hemisfério Norte, abrindo espaço para as instabilidades de Leste, que atingem principalmente as regiões Leste e Agreste do Rio Grande do Norte.
Para este ano, abril também deverá registrar chuvas dentro do padrão normal, variando entre índices acima de 80 mm no Agreste; entre 50 mm e 80 mm no Seridó; de 80 mm a 100 mm na região Oeste; e valores superiores a 200 mm no Leste.
Segundo o meteorologista da Emparn, Gilmar Bristot, devido ao comportamento termodinâmico dos oceanos — com La Niña em intensidade fraca no Pacífico e o Atlântico Norte ligeiramente mais aquecido que o Atlântico Sul —, as chuvas máximas esperadas entre março e maio em cada mesorregião e no Estado como um todo seguem os padrões apresentados no boletim climático.
As chuvas dos últimos dias acrescentaram 50,6 milhões de metros cúbicos aos reservatórios públicos do Rio Grande do Norte, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (02) pelo Instituto de Gestão das Águas (Igarn). Como consequência, 36 dos 69 açudes e barragens monitorados pelos órgãos de gestão hídrica do Estado apresentaram aumento no volume acumulado. É o caso das barragens Oiticica, em Jucurutu, e Dinamarca, em Serra Negra do Norte, além dos açudes Novo Angicos, Sossego, Pinga e outros de pequeno porte.
Segundo maior reservatório do Estado, inaugurada em março do ano passado, a barragem Oiticica estava com 138,8 milhões de metros cúbicos no dia 23 de fevereiro. A leitura realizada nesta segunda-feira (02) registrou 168,7 milhões de metros cúbicos.
A barragem Dinamarca atingiu 100% da capacidade e começou a transbordar — processo popularmente conhecido como “sangria” — no domingo (1º). O reservatório tem capacidade total de 2,72 milhões de metros cúbicos. No relatório do dia 23 de fevereiro, acumulava apenas 226.088 m³, o equivalente a 8,3% da capacidade. O manancial é responsável pelo abastecimento do município.
“A mudança de cenário é radical”, comemorou o prefeito Acácio Brito, que na tarde desta segunda-feira acompanhava o trabalho dos técnicos do Serviço Autônomo de Água e Esgotos (SAAE) de Serra Negra do Norte para restabelecer o sistema de abastecimento da cidade, que vinha sendo feito por carros-pipa. Segundo o prefeito, as chuvas não encheram apenas o reservatório principal, mas também barragens menores localizadas a jusante da Dinamarca.
“Temos 28 quilômetros de calhas do rio Espinharas tomadas pelas águas. No mais tardar, amanhã, a rede estará restabelecida”, afirmou.
Outros reservatórios
O volume do açude Novo Angicos triplicou após as últimas chuvas registradas na região de Angicos. O reservatório está agora com 2,1 milhões de metros cúbicos, o equivalente a 50,2% da capacidade. O açude Sossego passou de 259 mil para 1 milhão de metros cúbicos (44%). O Japi II também recebeu recarga e está com 8,9 milhões de metros cúbicos (43,5%).
O açude Pinga, em Cerro Corá, acumulava 26,2% da capacidade total, de 3,9 milhões de metros cúbicos. Após as chuvas, atingiu 74,1%.
As três outras grandes barragens apresentam os seguintes volumes: Armando Ribeiro Gonçalves (1 bilhão m³, 42,1%), Santa Cruz do Apodi (321 milhões m³, 53,5%) e Umari (148,7 milhões m³, 50,7%). Localizada em Upanema, Umari é utilizada como ponto de captação por carros-pipa que abastecem municípios durante períodos de estiagem.
No domingo (1º), a barragem localizada no topo da Serra do Lima, que dá suporte ao Santuário de Deus Pai Todo Poderoso, em Patu, também transbordou. Dados da Emparn indicam que o acumulado de chuvas em fevereiro no município foi de 339,4 milímetros — o fevereiro mais chuvoso do século 21.
tribuna do norte
