Exploração mineral:Lagoa Nova lidera repasses da CFEM; Currais Novos e Acari também estão entre as beneficiadas

Postado em 28 de julho de 2026

Municípios potiguares afetados pela atividade mineral ou vizinhos de cidades que exercem mineração receberam, em julho deste ano, cerca de R$ 802 mil em recursos da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). O dado resulta da soma de valores divulgados pela Agência Nacional de Mineração (ANM), que distribuiu, neste mês, mais de R$ 88 milhões da CFEM em todo o Brasil.

O montante inclui municípios afetados ou vizinhos a infraestruturas da mineração, como ferrovias, portos e dutos. No Brasil, foram destinados R$ 71,78 milhões para cidades afetadas, e R$ 16,97 milhões para cidades vizinhas a estruturas de mineração.

No RN, foram R$ 525.165 para os municípios afetados, e R$ 276.613 para os limítrofes. Somando essas duas fontes de recursos ligados à CFEM, os municípios potiguares que mais receberam em julho foram Lagoa Nova (R$ 288.153,24), Jucurutu (R$ 166.109,23), São Tomé (R$ 55.159,03), Acari (R$ 51.728,03) e Currais Novos (R$ 48.033,64).

A distribuição dos recursos foi feita pela ANM nos dias 17 e 20/07. Os pagamentos marcam a conclusão do ciclo 2025/2026 de repasses da CFEM aos municípios afetados pela atividade mineral, correspondente à arrecadação apurada entre maio de 2025 e abril de 2026. Embora os recursos referentes a abril de 2026 tenham sido pagos em julho, em razão da necessidade de adequação dos cálculos a uma decisão judicial, a ANM finalizou o ciclo com a regularização dos repasses e a destinação dos valores aos entes beneficiários.

Segundo o engenheiro de minas Paulo Morais, presidente da Associação dos Engenheiros de Minas do RN, os valores divulgados pela ANM não correspondem à arrecadação total da CFEM dos municípios produtores, mas uma parcela de 15% “destinada aos municípios afetados pela atividade mineral e aos municípios limítrofes, conforme previsto na legislação”.

Ele avalia que a compensação é um avanço na política mineral brasileira, pois reconhece que os impactos da mineração ultrapassam os limites do município produtor. “A circulação de veículos pesados, o uso da infraestrutura regional, a movimentação econômica e outras atividades ligadas à mineração também influenciam municípios vizinhos”, explica.

A ANM explica que a distribuição aos municípios ocorre prioritariamente sob duas condições: “como produtor (que recebe 60% do recolhimento gerado pela extração em seu território) e como afetado pela atividade mineral […], além da previsão para municípios limítrofes”.

A agência esclarece que o fato de determinado município receber maiores repasses de CFEM não significa que ele seja “o maior produtor de minerais do período, já que a transferência pode decorrer do enquadramento como afetado, de ciclos de distribuição de compensação ou de ajustes operacionais”.

O recurso não pode ser usado para pagamento de pessoal permanente e de dívidas, exceto débitos com a União e seus órgãos. É possível aplicar os recursos em despesas com educação pública básica e orientar o investimento de pelo menos 20% em diversificação econômica, exploração mineral sustentável e pesquisa científica.

Mário Tavares, presidente do Sindicato da Indústria da Extração de Metais Básicos e de Minerais Não Metálicos do RN, avalia que a CFEM é uma oportunidade para o município investir em programas sociais e culturais. “O CFEM é uma alíquota que incide diferentemente sobre diferentes minerais. Sobre o ouro, a alíquota é de 1,5% incidente sobre a receita bruta”, explica.

Paulo Morais frisa que os recursos “podem contribuir para melhorias na infraestrutura, educação, saúde, qualificação profissional, planejamento urbano, recuperação ambiental e fortalecimento da gestão pública”.

O engenheiro diz que, mesmo que a CFEM não seja indicador de maior produção mineral, muitas das cidades mais contempladas no RN “estão inseridas em regiões de forte tradição mineral, como o Seridó potiguar, que concentra importantes empreendimentos e grande potencial geológico”.

A CFEM é apenas um dos instrumentos existentes de compensação. Hoje, a mineração atende a um conjunto de exigências legais e ambientais, destaca o engenheiro.

Top 5

Repasses no RN (em julho) às cidades afetadas e vizinhas à atividade mineral

Lagoa Nova: R$ 288.153,24
Jucurutu: R$ 166.109,23
São Tomé: R$ 55.159,03
Acari: R$ 51.728,03
Currais Novos: R$ 48.033,64

Fonte: ANM