Fachin tenta ganhar dois votos para aprovar código de ética do STF

Postado em 21 de janeiro de 2026

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin interrompeu as férias para tentar apagar o incêndio causado na imagem da Corte a partir das investigações sobre as fraudes do Banco Master. A tática escolhida obedece ao estilo Fachin. Nas conversas com ministros do tribunal, ele tem sido incisivo, mas evita bater de frente com os colegas

Para evitar mal estar, o presidente não comentou com os ministros a forma pouco usual que Dias Toffoli adotou na condução do caso. Em vez disso, pediu atenção para a necessidade da aprovação de um código de conduta para o Supremo neste momento. Nas últimas duas semanas, Fachin procurou todos os ministros para falar sobre o assunto.

Segundo um dos ministros, o presidente já contabiliza cinco dos dez votos a favor da proposta. Além do próprio voto, ele teria o apoio de Cármen Lúcia, Kássio Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux. Por outro lado, Fachin teria em conta que Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes não votariam em prol da causa.

Nos bastidores, as posições de Flavio Dino e Cristiano Zanin ainda seriam desconhecidas. Por isso, Fachin prioriza conversas com os dois. Nesta terça-feira, 20, o presidente do Supremo viajou até São Luís (MA), onde Dino está com a família, para conversar com o colega.

O presidente ouviu de um dos ministros com quem conversou a sugestão de votar o código de conduta em uma sessão no plenário, com transmissão da TV Justiça.

Normalmente, procedimentos administrativos são definidos em uma sessão aberta, mas fora do plenário e sem a transmissão do canal.

A outra opção seria votar em uma sessão virtual, sem discussão pública entre os ministros. Levar o caso ao plenário implicaria em expor ao público quem são os ministros contrários à proposta, o que poderia facilitar a aprovação dela.

A ideia de Fachin é primeiro elaborar um texto e, depois, submetê-lo a votação. Portanto, é pouco provável que o código seja votado assim que terminar o recesso, em fevereiro, para que as negociações com ministros possam ser concluídas.

TRIBUNA DO NORTE