Fazenda do Seridó produz duas toneladas de morangos e quer dobrar cultivo

Postado em 30 de janeiro de 2026

A produção agroecológica de morangos começa a ganhar espaço em uma região pouco associada a esse tipo de cultivo. No Seridó do Rio Grande do Norte, a Fazenda Tupinambá, situada na Serra de Santana, no município de Bodó, tem apostado em planejamento, tecnologia e manejo sustentável para viabilizar a produção da fruta em pleno semiárido.

Atualmente, a fazenda alcança uma produção estimada entre 1.800 e 2.000 quilos por ciclo anual e projeta uma expansão significativa ainda este ano, com a meta de multiplicar esse volume por cinco. A iniciativa tem se destacado por romper padrões produtivos tradicionais do Nordeste e reafirmar a capacidade de inovação do sertanejo.

Em reconhecimento à qualidade e ao diferencial do trabalho desenvolvido, a produção recebeu, em 2025, o selo Feito Potiguar, iniciativa que valoriza produtos genuinamente potiguares e amplia a visibilidade de pequenos e médios empreendimentos no mercado.

A história do cultivo começa com o retorno de Edneuman Assunção ao Rio Grande do Norte. Formada em engenharia civil, ela construiu carreira na área de gestão e consultoria no Rio Grande do Sul antes de decidir voltar à fazenda da família, onde passou a infância. A mudança foi feita ao lado do esposo, o gaúcho Alex Amico, motivada tanto por questões familiares quanto pelo desejo de redefinir o ritmo de vida e de trabalho.

“Ao decidir morar definitivamente na fazenda, eu e meu marido passamos a buscar alternativas para tornar a propriedade economicamente viável e sustentável. A produção de morangos nasceu de uma paixão pessoal pela fruta, que se intensificou durante o período em que vivi no Rio Grande do Sul, onde pude conhecer de perto diversos produtores, tecnologias de cultivo e modelos de negócio”, relata.

Implantar uma cultura inédita na região exigiu enfrentar obstáculos como a adaptação às condições climáticas, a escassez de insumos e a ausência de referências locais. O processo demandou estudo contínuo, acompanhamento técnico e disposição para testar novas soluções. “Cada etapa vencida reforça a certeza de que estamos construindo algo novo e consistente”.

Para superar as limitações impostas pelo clima, os produtores optaram pelo sistema semi-hidropônico, no qual o morango é cultivado fora do solo convencional, com suporte em material neutro e irrigação controlada. A técnica permite maior precisão na oferta de água e nutrientes, reduz o estresse das plantas e contribui para a criação de um microclima mais equilibrado nas estufas.

Atualmente, a fazenda abriga cerca de 2 mil plantas. O plano de expansão já está em andamento e inclui a chegada de novas mudas importadas. “Em março, receberemos novas mudas oriundas da Espanha, e a expectativa é que, a partir de agosto, nossa produção seja aproximadamente cinco vezes maior do que a atual. O objetivo é crescer de forma planejada, mantendo qualidade, cuidado com o manejo e respeito ao território”.

Edneuman destaca que o selo Feito Potiguar teve papel decisivo nesse processo de crescimento. O apoio recebido também contribuiu para a estruturação da fazenda.

O selo Feito Potiguar funciona como uma ponte entre o produtor e novos mercados. “O programa amplia a visibilidade, fortalece a participação em feiras e eventos e contribui diretamente para o aumento da clientela e do faturamento. Consumir morangos frescos é, também, um privilégio potiguar”, relata a gerente da Unidade de Desenvolvimento Rural do Sebrae-RN, Mona Paula Nóbrega.

Gil Araújo Saiba Mais