Federação UB/PP testa nome de consenso e tensiona pleito

Postado em 5 de março de 2026

As articulações políticas em torno de um possível mandato-tampão no Governo do RN ganharam um novo capítulo e já provocam reações nos bastidores da Assembleia Legislativa. Uma reunião realizada na segunda-feira (2) pela federação formada por União Brasil (UB) e Progressistas (PP) colocou na mesa a tentativa de construção de um nome de consenso para comandar o Executivo estadual até o fim de 2026.

A iniciativa teria partido de interlocuções conduzidas pelo deputado estadual Kleber Rodrigues (PSDB). A ideia era buscar um entendimento entre a governadora Fátima Bezerra (PT) e o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), pré-candidato ao governo em 2026, em torno de um nome capaz de pacificar o cenário político no caso de dupla vacância no governo do RN.

Nos debates internos da federação, surgiu como possível ponto de convergência o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Francisco do PT, citado como alternativa que poderia ser aceita tanto pela Governadoria quanto por setores do campo político que orbitam o projeto de pré-candidatura de Allyson ao governo do Estado.

A idieia uniria no mesmo projeto Fátima Bezerra (PT) e José Agripino, presidente do UB, adversários políticos de longa data.

Mas, um deputado consultado pela reportagem alertou que Francisco do PT não agradou ao pré-candidato, Allyson Bezerra (UB), por entender que o líder do governo na ALRN, no exercício do mandato de governador, pode se tornar mais forte do que o atual pré-candidato governista, Cadu Xavier.

“Assim Allyson poderia estar colocando no poder um futuro concorrente ao governo, no exercício do cargo, com estrada eleitoral e experiência como ex-prefeito de Parelhas”, disse o deputado recém-chegado ao campo político que orbita o projeto de pré-candidatura de Allyson.

Surpresa na Assembleia

A movimentação, contudo, causou surpresa dentro da própria Assembleia Legislativa. Segundo informações apuradas nos bastidores políticos do Estado, o presidente da Casa, Ezequiel Ferreira (PSDB) — aliado da governadora e figura central no processo de eventual eleição indireta — não participou da construção inicial da proposta.

Ezequiel teria tomado conhecimento das articulações pela imprensa, fato que gerou desconforto em seu entorno político. Como chefe do Legislativo, caberá a ele conduzir o processo de eleição indireta caso se confirme a renúncia da governadora para disputar o Senado. Tanto que conduziu o projeto e lei para regulamentar a eleição indireta.

Incômodo no PSD

Outro efeito colateral da reunião foi a reação, segundo apoiadores, da senadora Zenaide Maia (PSD). O PSD, partido da parlamentar, sequer esteve representado no encontro da federação UB/PP, o que ampliou o desconforto político. O PSD apoia a pré-candidatura de Allyson Bezerra ao governo do RN em 2026, juntamente com o MDB, UB e PP.

O movimento, contudo, ocorre sob a crescente irritação da senadora Zenaide Maia, contrária a iniciativa conduzida pelo deputado estadual Kleber Rodrigues (PSDB).

Zenaide é candidata à reeleição ao Senado em outubro e pode enfrentar justamente a governadora Fátima Bezerra (PT), caso a petista confirme a renúncia ao cargo para disputar a vaga. Pelas projeções sustentadas por pesquisas divulgadas nos últimos meses, o senador Styvenson Valentim (PSDB) aparece como favorito à primeira vaga, o que tende a transformar a segunda cadeira em uma disputa direta entre Zenaide e Fátima — cenário em que apenas uma das duas teria chances reais de vitória.

Nesse contexto, interlocutores avaliam que a senadora é uma das maiores interessadas em que a governadora não reúna condições políticas para eleger um sucessor em um eventual mandato-tampão. Caso não consiga viabilizar essa sucessão, Fátima poderia rever a estratégia de renunciar ao governo e disputar o Senado.

Segundo relatos de bastidores, tanto Zenaide quanto seu marido, o ex-prefeito de São Gonçalo do Amarante Jaime Calado (PSD), estariam dispostos a cobrar uma posição mais firme das lideranças da aliança política.

Disputa de estratégias

Enquanto isso, deputados que se alinham politicamente ao projeto de Allyson Bezerra avaliam que cada grupo precisa priorizar seus próprios interesses eleitorais. Nas negociações em curso, o foco estaria na obtenção de garantias políticas e benefícios concretos para projetos de reeleição, sem preocupação direta com os impactos na disputa ao Senado.

O movimento, contudo, ocorre sob a crescente irritação da senadora Zenaide Maia, sinalizando que o tabuleiro político estadual tende a ficar ainda mais tensionado agora em março, durante a janela de mudanças partidária e formação de nominatas.

Agripino

O presidente estadual União Brasil, ex-senador e ex-governador José Agripino, diz que o encontro com aliados foi uma “reflexão” em torno do processo sucessório na Assembleia, onde se discutiram duas vertentes políticas. “Um caminho é apoiar alguém que continue o governo do PT, alguém que é conhecido das suas dificuldades e que pode merecer, ou não da Assembleia, a chance de terminar, de ser concluído com o governo de transição, com todas as virtudes e defeitos”, afirmou. A

Já a segunda alternativa, que Agripino declara defender, “é os partidos de oposição se entenderem em torno de um nome que concorde ou que tenha qualificação para assumir as atitudes desde já. Que o Estado do Rio Grande do Norte exige para a sua reorganização política e administrativa, principalmente das suas contas públicas”.

“Há, portanto, o caminho de se manter um candidato ligado ao PT para que conclua a obra que começou há oito anos atrás e que o Estado conhece, ou encontrar um novo caminho pela via do diálogo entre os partidos de oposição de um nome de consenso que tenha condições de começar desde já o trabalho de reconstrução do Estado”, avisou Agripino.

Para Agripino, União Brasil e o PP precisam procurar “é o consenso entre os partidos de oposição, que somados tem número para ganhar a eleição e eleger o governo da transição, elegendo um nome que tenha condições de antecipar o trabalho que terá que ser feito pelo próximo governo de reconstrução das finanças públicas do Estado”.

Kleber Rodrigues

A TRIBUNA DO NORTE procurou o deputado Kleber Rodrigues, que não quis se posicionar diretamente sobre o tema. Por intermédio de sua assessoria de imprensa, informou que “não há qualquer posicionamento sobre esse assunto porque, simplesmente, não existe fato concreto a ser comentado, que é a eleição indireta”. O parlamentar, comunicou que “qualquer informação que circule nesse momento é mera especulação”.

A presidente estadual do PSD, senadora Zenaide Maia, também foi procurada, mas não se pronunciou sobre o tema.

TRIBUNA DO NORT