Flávio Bolsonaro repete estratégia de Haddad, vira advogado do pai e terá livre acesso à prisão

Postado em 4 de março de 2026

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou na segunda-feira 2 uma petição ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passe a ter os mesmos poderes que os outros advogados que representam o ex-presidente. Na prática, isso significa que ele, que é pré-candidato à Presidência, terá livre acesso ao pai, que está preso na “Papudinha”, como é conhecido o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.

O pedido foi apresentado no mesmo dia em que Moraes negou que Bolsonaro cumprisse pena em regime domiciliar. Na decisão, o ministro alegou que a Polícia Federal (PF) realizou uma perícia médica que indicou “boa condição de saúde física e mental” do ex-chefe do Executivo federal.

Como filho, Flávio podia visitar o pai apenas nos dias pré-determinados pelo presídio para as visitas. Os encontros podiam ocorrer duas vezes na semana, em três horários diferentes.

O livre acesso dá mais tempo para que o ex-presidente e o seu herdeiro político tratem da articulação para as eleições de outubro. Desde que está preso, Bolsonaro tem recebido aliados para conversar sobre os palanques estaduais e outras demandas para o pleito.

Para ministros do STF consultados pelo jornal Valor Econômico, em tese, não há nenhuma irregularidade nisso. De acordo com eles, na qualidade de advogado, Flávio pode, sim, visitar o pai sem autorização prévia de Moraes, assim como os demais integrantes da defesa do ex-presidente.

A estratégia não é nova e já ocorreu anteriormente. Em 2018, quando o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estava preso em Curitiba, ele deu uma procuração ao então candidato à Presidência Fernando Haddad (PT), apesar de a sua defesa ser então liderada por outros advogados, como Cristiano Zanin, hoje ministro do STF. Haddad, hoje ministro da Fazenda, perdeu naquele ano para Bolsonaro.

O Correio de Hoje