Flávio divulga encontro e afirma que solicitou a Trump que enquadre facções como terroristas

Postado em 27 de maio de 2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República, postou foto ontem ao lado do presidente Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. A imagem foi divulgada pelo senador em seu perfil no Instagram. Flávio relatou mais tarde que não ouviu de Trump uma declaração de apoio à sua pré-campanha presidencial. Uma interferência do presidente americano, inclusive com gesto de tomar lado, seria um dos temores do governo Luiz Inácio Lula da Silva – o presidente vai disputar a reeleição pelo PT.

“Não tem declaração de nada de apoio, como não deveria ter, não poderia ter. Jamais pediria que isso acontecesse”, disse Flávio

O senador do PL afirmou ter relatado a Trump que a eleição será acirrada. Ele classificou a recepção do americano a um pré-candidato, algo pouco usual, como um sinal de que sua candidatura é “sólida” e “confiável”. E disse que quis oferecer uma “alternativa” aos Estados Unidos.

Flávio afirmou ainda que pediu a Trump que classifique as facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas. Ele prometeu colocar o Brasil, se eleito, na aliança Escudo das Américas, lançada por Trump em março. “Enquanto o Lula vai de joelhos, rastejando, para implorar ao presidente americano, Trump, que não declare organizações criminosas, como CV e PCC, como terroristas, eu faço o contrário. Eu fui exatamente fazer esse pedido expresso a ele, para que ele declare CV e PCC como organizações terroristas, sim, que é o que eles são”, declarou.

Segundo Flávio, o objetivo da medida é “libertar” pessoas que moram em áreas controladas por essas facções por meio de acordos internacionais, não só com os EUA, mas também com outros países, caso ele seja eleito presidente da República.

‘Pragmatismo’

O pré-candidato do PL disse que entrou às 15h e saiu às 16h40 da Casa Branca, mas não especificou quanto tempo ficou com Trump. Segundo ele, dois assessores de Trump permaneceram no Salão Oval

Flávio afirmou que em seu governo a política externa será gerida com “pragmatismo econômico”, em vez de “ideologia”, mas fez uma crítica indireta a Pequim, maior parceiro comercial do Brasil desde 2009 e rival estratégico dos EUA.

Em terras raras e minerais críticos, o presidenciável do PL disse que afirmou a Trump que o Brasil é “a única alternativa real à China para o mundo livre” e prometeu que, sob seu governo, “haverá parceria estratégica de longo prazo com investimento protegido e reindustrialização compartilhada entre os dois países (Brasil e EUA)”.

Flávio disse ter falado sobre o tarifaço do ano passado, quando o governo Trump decidiu implementaram sobretaxas de até 50% sobre centenas de produtos brasileiros após lobby comandado pelo irmão Eduardo Bolsonaro. O senador afirmou ter dito a Trump que, se for eleito, “não haverá necessidade de retaliação comercial contra o Brasil” e que os países farão os maiores acordos de investimento.

IMAGENS

O influenciador Paulo Figueiredo divulgou uma segunda imagem do Salão Oval em que além de Flávio Bolsonaro, também aparecem ao lado de Trump ele próprio e Eduardo. O deputado cassado também divulgou a imagem comentando: “No Salão Oval da Casa Branca com o presidente da maior potência bélica e econômica do mundo, que recebeu o Senador @flaviobolsonaro, candidato à presidência do Brasil, algo simplesmente inédito! E foi muito bom!”

A divulgação do encontro ocorreu duas semanas após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser recebido em reunião pelo presidente americano.

Articulações

Flávio vestiu um broche de senador e a gravata verde e amarela, antes de chegar à sede da Presidência americana. O pré-candidato do PL relatou que foi à Casa Branca após ter recebido um convite por e-mail, da Casa Branca, mas ao fim reconheceu que o encontro foi precedido de articulações de Eduardo e Paulo Figueiredo.

O senador disse que o encontro mostra a relação estreita entre as famílias e os dois movimentos políticos do trumpismo e do bolsonarismo. Segundo ele, Trump perguntou sobre o pai, Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar, e quis saber como a família passava pelo momento. Ele afirmou que mandou um abraço a Trump em nome do ex-presidente.

Flávio tenta reverter uma crise em sua pré-campanha por causa das revelações de elos dele e pedidos de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso por causa do escândalo do Banco Master.

O senador disse ter solicitado apoio da Embaixada do Brasil nos Estados Unidos para receber jornalistas e conceder uma coletiva de imprensa, mas afirmou que não recebeu resposta. Ele deslocou a entrevista para outro local na capital americana e se queixou do que chamou de uma ação “ideológica” por parte do Itamaraty.

Estadão Conteúdo