“Fomos traídos pelo vice”: Fátima Bezerra expõe bastidores políticos e mira eleições de 2026 em entrevista

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, elevou o tom do discurso político e falou abertamente sobre as articulações para as eleições de 2026 durante entrevista concedida à jornalista Mara Godeiro, no programa RN no Ar, da TV Tropical, na manhã desta terça-feira (9).

Ao comentar a decisão de não disputar uma vaga no Senado, Fátima afirmou que a mudança de cenário ocorreu após um rompimento político com o vice-governador.
“Nós fomos traídos pelo vice-governador”, declarou. Segundo a governadora, havia um entendimento político para que o então aliado assumisse o governo enquanto ela disputaria outro cargo nas eleições. “Ele tinha uma aliança conosco e inicialmente colocou que não iria para reeleição, mas assumiria o governo. De uma hora para outra, chegou para nós dizendo que não iria mais assumir e que apoiaria uma candidatura adversária”, afirmou.
A petista classificou a postura como um gesto de “fraqueza política” e “falta de espírito público”, reforçando críticas ao movimento que alterou os planos do grupo governista para 2026.
Apoios, alianças e críticas aos adversários
Durante a entrevista, Fátima demonstrou confiança no desempenho do grupo político aliado nas próximas eleições. Ela afirmou acreditar que o pré-candidato do PT ao governo, Carlos Eduardo Xavier, chegará ao segundo turno e citou apoio à vereadora natalense Samanda Alves para a disputa ao Senado.
A governadora também confirmou aproximação política com o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira. “Para nós interessa sim trazer o PSDB para o conjunto da nossa aliança”, declarou.
Ao comentar possíveis adversários, Fátima questionou a narrativa de renovação política atribuída ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra. “Ele se apresenta como novo. Mas o que de novo ele tem?”, questionou, acrescentando que a candidatura estaria ligada a grupos políticos tradicionais do estado.
Já sobre o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, a governadora criticou a associação política ao bolsonarismo. “Aquilo que representa ameaça à democracia”, afirmou.
Lula no RN e obras estratégicas
Fátima também revelou expectativa pela visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Rio Grande do Norte, prevista, segundo ela, até o dia 4 de julho. “Lula quer muito visitar o túnel Major Sales”, comentou, citando a obra ligada ao projeto de transposição das águas do Rio São Francisco, considerada estratégica para garantir segurança hídrica ao estado.
Porto Verde e promessa de empregos
Além da política, a governadora destacou a assinatura do contrato do primeiro módulo do Porto-Indústria Verde, em Caiçara do Norte, tema central da entrevista. Segundo Fátima, o projeto deve mobilizar investimentos superiores a R$ 6 bilhões. “Agora, o BNDES vai fazer toda a estruturação do modelo de concessão de PPP que vai viabilizar o Porto-Indústria Verde”, explicou. A expectativa do governo é que o empreendimento esteja em funcionamento até 2029, com potencial de gerar cerca de 50 mil empregos.
“Tiramos o RN de uma tragédia”, diz governadora
Ao fazer um balanço da gestão, Fátima afirmou que seu principal legado foi reorganizar o estado. “Foi tirar o Rio Grande do Norte daquela tragédia em que se encontrava”, disse, citando atrasos salariais herdados e investimentos em áreas como segurança pública e saúde.
Sobre os problemas históricos no Hospital Walfredo Gurgel, a governadora defendeu que a construção do Hospital Metropolitano, previsto para 2027, será a solução estrutural para desafogar a unidade.
Questionada sobre um eventual convite para assumir ministério em um possível novo governo Lula, Fátima evitou aprofundar o tema: “Não vou falar sobre isso”.
programa RN no Ar, da TV Tropical
