Francisco do PT nega interferência de Lula na PF e diz que Allyson busca ‘narrativas para se vitimizar’

O deputado estadual Francisco do PT, líder do governo estadual na Assembleia Legislativa, criticou o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), pela forma como reagiu à Operação Mederi, que o investiga por supostas fraudes na compra de medicamentos. Na avaliação de Francisco, o prefeito “está procurando narrativas para se vitimizar”.
“Com todo respeito que eu tenho a Allyson, que inclusive foi meu colega deputado e eu tenho uma boa relação pessoal com ele, eu acho que ele está apenas procurando narrativas para se vitimizar. Na verdade, o que ele tem que fazer, ao invés de dizer que está sendo perseguido ou vítima, é se explicar o povo do Rio Grande do Norte”, afirmou Francisco, em entrevista nesta quarta-feira 4 ao programa Dê o Play, da rádio Jovem Pan Natal.
Logo após ser alvo da operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, em 27 de janeiro, Allyson concedeu uma série de entrevistas relacionando o cumprimento dos mandados de busca e apreensão à aproximação do processo eleitoral, em que ele é pré-candidato ao Governo do Estado. Em uma das entrevistas, ele chegou a dizer ser alvo do “sistema” e afirmou que a repercussão da operação interessa aos seus adversários.
Francisco afirmou, porém, que a investigação contra Allyson remonta a 2023, quando o prefeito ainda não havia sequer sido reeleito em Mossoró. “Era o primeiro mandato dele, ninguém nem falava que ele poderia ser candidato a governador do Rio Grande do Norte, quando esses fatos começaram a ser apurados e investigados”, declarou o deputado estadual.
“Então, querer botar isso na conta do PT, quando pessoas do PT também já passaram por isso e vivenciaram isso… E convenhamos: o governo do presidente Lula não age dessa forma. Alguém aqui já ouviu o presidente Lula dizer ‘a minha Polícia Federal’? Alguém aqui já ouviu falar no presidente Lula intervir na Polícia Federal para proteger alguém ou para condenar alguém? Isso não existe”, enfatizou Francisco do PT.
Para o líder do governo, Allyson “tem mais é que trabalhar no sentido de responder à sociedade aquilo que está sendo divulgado, aquilo que foi objeto das investigações, das buscas e apreensões.”
Sobre o desempenho de Allyson nas pesquisas para o Governo do Estado, Francisco afirmou que está cedo para afirmar que a eleição esteja resolvida.
“A gente já viu gente bem em pesquisa que dizia até que, em determinadas eleições, nem segundo turno teria. E candidatos ou candidatas que já figuraram em pesquisas antes de eleições, em primeiro lugar, como favoritíssimos, terminaram não indo nem para segundo turno de algumas eleições”, disse ele, citando o caso de Carlos Eduardo (PSD) na disputa pela Prefeitura do Natal em 2024.
“Daqui para a eleição, como se diz no jargão popular, muita água ainda vai passar debaixo dessa ponte”, concluiu.
Cadu é nome do partido para eleição indireta, diz deputado
Na entrevista, Francisco do PT também abordou a possibilidade de o Rio Grande do Norte ter uma eleição indireta até abril, caso se confirmem as renúncias da governadora Fátima Bezerra (PT) e do vice-governador Walter Alves (MDB). Neste caso, caberia à Assembleia Legislativa eleger uma chapa para concluir o mandato até 5 de janeiro de 2027.
Segundo o líder do governo, a prioridade do PT para esse pleito é eleger o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier. Ele elogiou o nome do deputado estadual Vivaldo Costa (PV), que tem surgido como alternativa caso haja resistência ao nome de Cadu, mas reiterou que o secretário da Fazenda é o nome preferencial do partido.
“Eu vou dizer o que Vivaldo me disse na Assembleia. Ouvi de Vivaldo, um homem de uma reputação e uma conduta ilibadas, de comportamento ético. Vivaldo disse: ‘eu voto em quem a governadora indicar’”, declarou Francisco, ao tratar das articulações em curso. Na sequência, fez questão de reafirmar qual é, até agora, a posição oficial do partido. “O nome que o PT está apresentando é o nome de Cadu Xavier”, disse, ressaltando que essa é a indicação prioritária.
O líder do governo destacou ainda que, embora reconheça a trajetória e o peso político de Vivaldo Costa, o partido trabalha, neste momento, para viabilizar o nome do atual secretário estadual da Fazenda. “Vivaldo tem minha amizade, tem minha simpatia, é meu conterrâneo, mas eu vou repetir: o nome que o PT está apresentando é o nome de Cadu Xavier”, afirmou. Segundo ele, eventuais cenários alternativos só serão discutidos se a conjuntura política exigir, especialmente diante da necessidade de reunir maioria de votos na Assembleia Legislativa em caso de eleição indireta.
Francisco do PT voltou a dizer que o PT defende a manutenção do controle do Governo do Estado como forma de assegurar a continuidade do projeto político aprovado nas urnas em 2022, em primeiro turno. Para o parlamentar, a eventual sucessão da governadora deve preservar o alinhamento com as diretrizes do atual governo.
“O legítimo é que este governo seja concluído por alguém que tenha compromisso e sintonia com este projeto que foi aprovado e eleito nas urnas pelo povo do Rio Grande do Norte em 2022”, afirmou, ao argumentar contra a hipótese de a oposição assumir o Executivo antes do fim do atual mandato. “O povo do Rio Grande do Norte não elegeu ninguém da oposição nas eleições passadas para governar o Rio Grande do Norte”, afirmou.
Deputado rebate tese de Estado ingovernável
Outro ponto enfatizado pelo deputado foi a contestação à tese, recorrente no debate político, de que o Rio Grande do Norte estaria ingovernável ou quebrado. Para Francisco, esse discurso não se sustenta quando comparado o cenário atual com a situação herdada pelo Governo Fátima Bezerra em 2019. “Virem dizer que ele está ingovernável, quebrado, pior do que estava… não está”, afirmou. Segundo ele, o Estado enfrenta dificuldades fiscais e financeiras históricas, mas apresentou avanços significativos nos últimos anos.
O parlamentar citou dados para sustentar o argumento. “Quando a governadora Fátima assumiu esse Estado, o comprometimento da receita corrente líquida com o pessoal era quase 64%. Hoje ele está em 56%”, disse, atribuindo a redução a medidas adotadas pelo atual governo. Francisco lembrou ainda que a gestão conseguiu regularizar salários atrasados deixados por administrações anteriores. “A governadora Fátima botou em dia as folhas atrasadas, o que representava quase um bilhão de reais”, afirmou.
Na avaliação do líder do Governo, esses resultados desmontam a narrativa de colapso administrativo. “Esse Estado, que tem problemas fiscais e financeiros, ele hoje é muito melhor do que o Estado que Fátima herdou para governar lá em 2019”, disse. Para ele, o fato de diferentes atores políticos manifestarem interesse em comandar o Executivo estadual também contradiz a ideia de que o Rio Grande do Norte seria inviável do ponto de vista administrativo.
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