Governo lança Operação Carnaval em meio a protesto da Polícia Civil

O Governo do Rio Grande do Norte lançou, na manhã desta terça-feira (25), a Operação Carnaval, com um investimento total de R$ 7 milhões em diárias operacionais e mais de 5 mil agentes das forças de segurança. O evento, no entanto, foi marcado por protestos de policiais civis que reivindicam o pagamento de auxílio-alimentação. Representantes da categoria entoaram palavras de ordem em meio à cerimônia e fala dos representantes do Estado. Logo após, a governadora Fátima Bezerra ainda anunciou a convocação da Turma 2 de aprovados da Polícia Militar, que totaliza 469 novos praças.
Segundo a governadora Fátima Bezerra, o reforço no policiamento segue a prioridade dada pelo governo à segurança pública ao longo dos últimos anos. “Ao longo desses seis anos nós demos a demonstração do quanto a gente investiu na segurança pública. O retorno é o Rio Grande do Norte se destacando na melhoria dos indicadores de violência e criminalidade”, afirma. Durante o evento, ainda foram entregues 32 novas viaturas, sendo 27 originadas de emendas parlamentares, e anunciados R$ 900 mil em investimentos em novos computadores para a Polícia Civil.
No evento, Coronel Araújo, secretário de Segurança Pública e Defesa Social do RN, ressaltou a ampliação do efetivo em relação à operação anterior, afirmando que o foco está na cobertura de áreas de interesse turístico e nos municípios que realizarão festas de Carnaval. “Agora, na Operação Carnaval Seguro e em Paz, atuaremos do litoral Norte ao litoral Sul, junto com a Secretaria de Saúde e a Secretaria de Mulheres, para garantir um carnaval seguro, em paz, sem violência e sem preconceito”, afirma.
Enquanto as autoridades detalhavam o plano de segurança para o período festivo, a Polícia Civil protestava no evento, cobrando o cumprimento do pagamento de auxílio-alimentação. A categoria ameaça paralisar as diárias operacionais, o que pode comprometer o atendimento à população durante o Carnaval.
Pedro Lopes, secretário da Administração do RN, nega que o governo tenha se comprometido com a concessão do benefício neste momento. “Em nenhum momento o governo do estado se comprometeu com a Polícia Civil para aumentar o auxílio-alimentação. Qualquer representante classista que faz essa afirmação está faltando com a verdade”, afirma. Lopes também apontou dificuldades financeiras decorrentes da perda de arrecadação com o ICMS, o que teria impactado as negociações, com perda de cerca de R$ 1 bilhão em receita.
Apesar das restrições fiscais defendidas, o secretário ressalta um histórico de conquistas para a categoria, como a incorporação do adicional por tempo de serviço e a recomposição salarial. “O nosso compromisso é que, a partir de junho, sentaremos com todas as forças de segurança para discutir a reposição da diária operacional, o auxílio-alimentação e a recomposição salarial referente a janeiro”, disse.
Já a delegada-geral da Polícia Civil, Ana Cláudia Saraiva, reconheceu o direito da categoria de reivindicar melhorias, mas pediu responsabilidade durante o período de Carnaval. “Entendemos o movimento do sindicato dos policiais civis, mas a sociedade precisa ficar tranquila. A Polícia Civil, como as demais forças, recebe auxílio-alimentação quando o policial está de plantão. Estamos mantendo o diálogo e contamos com o compromisso dos agentes”, destaca.
Ainda de acordo com a delegada, a Polícia Civil teve um incremento de 65% durante o atual governo, o que deve contribuir para a manutenção do atendimento durante o período festivo. Segundo ela, as delegacias de plantão estarão ativas e os gestores de prontidão para atender às necessidades da população durante o período.
Na manifestação sobre a cobrança do auxílio-alimentação, o Sindicato dos Policiais Civis do RN (Sinpol/RN) alega que os agentes e escrivães não serão voluntários para realizar as diárias operacionais. “A categoria espera que o Governo cumpra o que foi acordado e colocado em lei, garantindo a implantação do auxílio-alimentação imediatamente”, informou em nota na última segunda-feira (24).
A Operação Carnaval, que se estenderá até a Quarta-feira de Cinzas, contará com a atuação integrada das polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep), Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e guardas municipais. Durante o evento, também estiveram presentes a prefeita de Parnamirim, Professora Nilda, e o ex-deputado federal Rafael Motta, além do quadro de secretariados do RN.
Logo após o evento de lançamento da Operação Carnaval, que ocorreu na Escola de Governo, a governadora Fátima Bezerra se dirigiu até o prédio da Governadoria para anunciar a convocação de 469 novos praças da Polícia Militar. Os aprovados fazem parte da Turma 2 e participaram do evento ao lado de outros representantes das forças de segurança.
O Curso de Formação de Praças é a nova etapa pela qual os convocados deverão passar para assumir o cargo público. Nele, desenvolve-se a capacitação dos alunos para o enfrentamento da violência e da criminalidade.
Tribuna do Norte