Incontinência urinária atinge até 30% dos idosos, diz médico

Postado em 20 de março de 2026

A incontinência urinária, caracterizada pela perda involuntária de urina, atinge cerca de 5% da população mundial e chega a aproximadamente 30% das pessoas acima dos 60 anos. O alerta é do urologista potiguar Maryo Kempes, que defende a busca por diagnóstico médico diante de qualquer sintoma. “Primeiro, não é comum você perder urina. Você não aceita que se perca uma gota de urina. Se você está perdendo urina, você tem algum problema”, afirmou, em entrevista à TV Band.

Segundo o especialista, a condição é frequentemente negligenciada, especialmente entre idosos, que tendem a considerar a perda de urina como algo natural da idade. “É uma doença muito negligenciada, principalmente na terceira idade. Com a incidência muito alta, eles acham que é normal perder xixi”, acrescentou.

O médico explica que a incontinência urinária pode ocorrer por diferentes causas, como infecções urinárias, contrações involuntárias da bexiga (urge incontinência) ou fragilidade da musculatura responsável por conter a urina.

“A incontinência urinária é a perda involuntária da urina. É quando você urina sem ter o controle”, afirmou. Ele acrescenta que, em casos persistentes, é necessário procurar atendimento especializado: “Se você está perdendo urina de uma maneira constante, você tem que buscar atenção médica, tem que buscar urologista”.

Entre os tipos mais comuns, está a chamada bexiga hiperativa, que provoca vontade súbita e incontrolável de urinar. “A bexiga contrai por vontade própria, que é o que a gente chama de bexiga hiperativa”, explicou. Já nos casos de fragilidade muscular, situações como tossir, espirrar ou fazer esforço podem causar perda de urina. “Quando o músculo que segura a bexiga está frouxo, o paciente quando faz um esforço, acaba tendo perda de urina”, disse.

Maryo Kempes destaca que o problema também pode afetar pessoas jovens, principalmente mulheres, e está associado a fatores como gestação, partos, uso de medicamentos, diabetes e doenças neurológicas. “As pessoas jovens podem ter incontinência urinária, sendo um número muito maior de mulheres”, afirmou.

O impacto na qualidade de vida é significativo, podendo levar ao isolamento social e até a quadros depressivos. “A pessoa perde a qualidade de vida totalmente, porque ela não se sente confortável”, disse. Ele relatou o caso de uma paciente que desenvolveu depressão grave após episódio constrangedor relacionado à condição. “Aquilo levou um quadro depressivo dela muito severo, que ela tentou até o suicídio”, afirmou.

O tratamento varia conforme a causa. Para casos de bexiga hiperativa, o uso contínuo de medicamentos é indicado. “É um tratamento pelo resto da vida que vai controlar o seu xixi”, explicou. Já nos casos de fraqueza muscular, a cirurgia pode ser indicada. “Hoje a gente faz uma cirurgia chamada cirurgia de sling e a paciente volta até a continência total”, disse, acrescentando que “a cura é praticamente 100%” nesses casos.

Apesar das opções terapêuticas, o médico aponta alta taxa de abandono do tratamento medicamentoso. “30% dos pacientes que começam a fazer o tratamento abandonam nos três primeiros meses”, afirmou.

Sobre prevenção, Maryo Kempes afirma que não há medidas totalmente eficazes, mas algumas ações podem reduzir o risco, como controle de doenças, manutenção do peso e fortalecimento do assoalho pélvico. Ainda assim, reforça que qualquer perda de urina deve ser investigada. “Não existe motivo para se perder urina. Perder o xixi é problema, tem que buscar o especialista”, disse.

Durante a semana de conscientização sobre o tema, campanhas buscam ampliar o acesso à informação e estimular o diagnóstico precoce. “A gente tem um maior espaço na mídia para que as pessoas conheçam a doença, saibam que isso é uma doença, que isso tem um tratamento”, afirmou.

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