Indústrias planejam reduzir investimentos em 2026, aponta CNI

Postado em 17 de março de 2026

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta terça-feira (17), aponta que as indústrias brasileiras pretendem reduzir os investimentos em 2026.

De acordo com o estudo, 72% das empresas investiram em 2025, mas a intenção para este ano caiu para 56%. Na prática, isso significa que 44% das indústrias não pretendem investir em 2026.

O levantamento também mostra que muitas empresas enfrentaram dificuldades para executar seus planos em 2025. Apenas 36% conseguiram investir como planejado, enquanto 29% realizaram os projetos parcialmente.

A maior parte dos investimentos foi feita com recursos próprios das empresas, que representaram 62% do total. Outras fontes tiveram participação menor, com destaque para bancos comerciais privados (9%) e bancos de desenvolvimento (5%).

Incertezas econômicas lideram obstáculos

Entre os principais fatores que dificultaram os investimentos em 2025, o destaque é para o cenário econômico incerto, citado por 61% das empresas industriais.

Outros entraves apontados foram queda nas receitas (51%), incertezas setoriais (47%), expectativa de demanda insuficiente (46%) e entraves tributários (45%).

Entre as empresas que chegaram a adiar ou cancelar investimentos, a queda de receitas foi o principal motivo (80%), seguida pelas incertezas econômicas (79%).

Além disso, o aumento das tarifas de importação dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros em 2025 aumentou a percepção de risco entre os empresários.

Entre junho e agosto do ano passado, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) caiu de 50,2 para 45,6 pontos, entrando na chamada zona de desconfiança.

Onde as indústrias vão investir em 2026

Entre as indústrias que ainda pretendem investir em 2026, o foco será na modernização da produção e no aumento da eficiência operacional. A principal finalidade é a melhoria do processo produtivo, citada por 48% das empresas.

Em relação ao destino dos recursos, 30% pretendem investir apenas no mercado interno, enquanto 37% indicam foco no Brasil, mas com atuação também no exterior.

Quanto ao estágio dos projetos, 62% já estavam em andamento, enquanto 31% correspondem a novos investimentos.

Segundo a CNI, o cenário mostra que, mesmo com a redução geral dos aportes, as empresas seguem priorizando ganhos de eficiência e competitividade, mas com maior cautela diante do ambiente econômico.

SBT