Inflação do RN fecha 2025 acima da média nacional e impõe cautela para 2026

Postado em 11 de fevereiro de 2026

A inflação do Rio Grande do Norte encerrou 2025 em patamar superior ao índice nacional, refletindo pressões persistentes sobre alimentos, serviços e preços administrados. Estimativas a partir do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de Natal e de indicadores regionais apontam variação próxima de 4,4% no acumulado do ano, acima do IPCA nacional de 4,26%, segundo dados consolidados do Instituto Brasileiro de Geografia e EstatíSTICA (IBGE).

O resultado mantém o Estado distante do centro da meta de inflação perseguida pelo Banco Central e reforça os desafios para a convergência em 2026.

No Brasil, o IPCA — considerado a inflação oficial — registrou variação de 0,33% em dezembro de 2025, acumulando alta de 4,26% no ano, abaixo do teto da meta de inflação de 4,5%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Embora o comportamento dos preços no RN tenha seguido a tendência nacional de desaceleração no segundo semestre, fatores estruturais e regionais contribuíram para um desempenho relativamente menos favorável.

Alimentos e serviços pressionam índice regional
O avanço dos preços no RN em 2025 foi influenciado principalmente pelo encarecimento de alimentos consumidos no domicílio, com destaque para proteínas, hortifrutigranjeiros e produtos industrializados. Condições climáticas adversas ao longo do ano, combinadas com custos logísticos elevados e a dependência de insumos vindos de outros Estados, pressionaram a cadeia de abastecimento local.

Além disso, serviços ligados a habitação, transporte urbano e alimentação fora do lar registraram reajustes acima da média, refletindo tanto a recomposição de margens quanto a rigidez estrutural desses preços. Esse comportamento é típico de economias regionais com menor grau de concorrência e maior sensibilidade a custos fixos.

Energia e combustíveis seguem como vetor relevante
Outro fator que contribuiu para a inflação mais elevada no Estado foi o impacto de itens administrados, como energia elétrica e combustíveis. Apesar de alguma acomodação no segundo semestre, os reajustes acumulados ao longo de 2025 mantiveram pressão sobre o índice regional. No caso dos combustíveis, a volatilidade internacional e a política de preços das refinarias continuaram a influenciar o custo final ao consumidor, com reflexos diretos sobre fretes e tarifas de transporte.

Dados regionais, por outro lado, indicam algum alívio em segmentos específicos. No custo da construção civil, por exemplo, o Rio Grande do Norte liderou o Nordeste com o menor crescimento acumulado até novembro de 2025, de 3,71%, abaixo das médias regional e nacional, segundo levantamentos setoriais.

Focus indica inflação mais comportada em 2026
Para 2026, o cenário traçado pelo mercado é de maior moderação. O boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, aponta redução consistente nas projeções de inflação. Pela quinta semana consecutiva, a estimativa para o IPCA de 2026 foi revisada para baixo, situando-se dentro da faixa da meta oficial, cujo centro é de 3,0%, com tolerância de 1,5 ponto percentual.

O relatório também indica expectativas estáveis para 2027 (3,8%) e ligeiramente menores para 2028 e 2029 (3,5%), sinalizando a crença do mercado em uma convergência gradual da inflação ao centro da meta ao longo do horizonte relevante da política monetária.

Juros elevados e riscos no radar
Esse cenário ocorre em um contexto de juros elevados, com a taxa Selic em 15% ao ano, e na expectativa de que, caso a inflação siga sob controle, o Banco Central possa iniciar um ciclo de flexibilização monetária a partir do primeiro semestre de 2026. Ainda assim, analistas alertam para riscos como a persistência da inflação de serviços, a indexação de contratos e incertezas fiscais, que podem limitar uma desaceleração mais rápida.

A combinação de inflação moderada em 2025, sinais de alívio em indicadores regionais e projeções mais benignas para 2026 sugere que o Rio Grande do Norte deve enfrentar um ano de preços mais controlados. O acompanhamento do comportamento inflacionário, contudo, seguirá no centro das atenções de consumidores, empresas e formuladores de política econômica ao longo do próximo ano.

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