Lulinha movimentou R$ 19,5 milhões em 4 anos e recebeu R$ 721 mil do pai, aponta quebra de sigilo da CPI

Postado em 6 de março de 2026

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), movimentou cerca de R$ 19,5 milhões em um período de quatro anos, segundo dados obtidos a partir da quebra de sigilo bancário autorizada pela CPI do INSS. As informações foram publicadas inicialmente pelo portal Metrópoles e posteriormente repercutidas pelo jornal O Globo, que apresentou detalhes adicionais sobre as movimentações financeiras.

De acordo com os registros analisados pela comissão parlamentar, os valores correspondem a operações realizadas em uma conta mantida no Banco do Brasil entre 3 de janeiro de 2022 e 30 de janeiro deste ano. No período, foram identificados R$ 9,774 milhões em créditos — valores que ingressaram na conta — e R$ 9,758 milhões em débitos, referentes a saídas de recursos.

A quebra do sigilo bancário e fiscal de Lulinha foi aprovada no âmbito da CPI que investiga supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Antes disso, no início do ano, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), já havia autorizado a Polícia Federal a examinar dados financeiros do empresário. A medida ocorreu no contexto de apuração sobre uma possível relação comercial com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso sob suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de recursos de aposentados e pensionistas.

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirma que as movimentações financeiras têm origem lícita. Em nota, os advogados sustentam que as fontes de renda são “legítimas” e destacam que não há qualquer elemento que vincule as operações às fraudes investigadas no INSS. Segundo a manifestação, é “gritante a ausência de menção a qualquer elemento ligado às fraudes do INSS, o alegado objeto investigativo da quebra de sigilo”.

Os advogados também recorreram ao STF pedindo a suspensão da quebra de sigilo bancário determinada pela CPI.

Entre os registros analisados pela comissão, constam três transferências feitas pelo próprio presidente Lula ao filho, que somam R$ 721,3 mil. A maior delas, no valor de R$ 384 mil, ocorreu em 22 de julho de 2022, período em que Lula se preparava para iniciar a campanha eleitoral que o levaria de volta à Presidência da República. As outras duas transferências foram realizadas em 27 de dezembro de 2023, no final do primeiro ano do terceiro mandato do petista.

De acordo com Lulinha, os repasses têm diferentes justificativas. Segundo sua defesa, os valores seriam resultado de adiantamento de herança aos filhos do presidente, reembolso de despesas arcadas por ele durante o período em que Lula esteve preso, ou ainda empréstimo à empresa L.I.L.S. Palestras, na qual Fábio Luís possui participação societária recebida por herança.

Os dados também indicam que a maior parte das movimentações ocorreu como resultado de rendimentos de investimentos e transações entre empresas ligadas ao empresário. Entre elas estão a LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento e Tecnologia, ambas sediadas em São Paulo e registradas com capital social de R$ 100 mil.

Com a LLF Tech Participações, o empresário movimentou aproximadamente R$ 2,3 milhões entre entradas e saídas de recursos. Já as operações envolvendo a G4 Entretenimento e Tecnologia somaram cerca de R$ 772 mil.

As duas empresas têm como atividades registradas serviços como manutenção e suporte em tecnologia da informação, marketing, intermediação de negócios, consultoria em gestão empresarial e treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial.

Os registros financeiros analisados pela CPI também mostram pagamentos feitos por Lulinha a dois ex-sócios da extinta empresa Gamecorp: R$ 750 mil a Kalil Bittar e R$ 704 mil a Jonas Suassuna Filho.

Suassuna foi um dos proprietários do sítio de Atibaia, imóvel que esteve no centro de um dos processos da Operação Lava Jato que resultaram na condenação do presidente Lula em fevereiro de 2019, sob acusação de recebimento de propina por meio de reformas na propriedade. Posteriormente, a condenação foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal.

Por O Correio de Hoje