MapBiomas: Amazônia tem menor desmatamento da série histórica em 2025

Postado em 14 de outubro de 2026

A Amazônia registrou 693 mil hectares de desmatamento em 2025, o menor índice da série histórica do MapBiomas. Desse total, 92% da área desmatada correspondem à vegetação primária, ou seja, que se desenvolveu naturalmente ao longo de muitos anos e que ainda mantém suas características originais.

Apesar da redução recente, a expansão da agropecuária e a pressão da malha viária continuam entre os principais alertas apontados pela Coleção 11 do levantamento, que analisa as transformações no uso da terra entre 1985 e 2025.

Os dados mostram que a proximidade de estradas está associada a diferenças na ocupação do território.

Em áreas localizadas a até cinco quilômetros de vias, a agropecuária ocupa 40,2% da área, enquanto a vegetação nativa representa 56,7%. No raio de 20 quilômetros, a vegetação nativa corresponde a 69,3% e a agropecuária, a 26,7%.

Estradas pressionam áreas protegidas

No entorno da BR-364, a agropecuária representa 43,5% do território em um raio de 20 quilômetros. Na BR-163, o índice é de 39%. Já na BR-319, a vegetação nativa ainda cobre 86% da área no mesmo perímetro.

Ao todo, a Amazônia soma 618 mil quilômetros de estradas, dos quais 41,5 mil quilômetros atravessam áreas protegidas.

O avanço da agropecuária também alcança o entorno de Unidades de Conservação, Terras Indígenas e territórios quilombolas. Desde 1985, a atividade cresceu 561% nessas áreas de amortecimento e ocupa atualmente 31% delas.

Dentro dos territórios protegidos, porém, a vegetação nativa representa 98% da cobertura. Nas Terras Indígenas, o índice chega a 98,9%.

Pastagem ocupa 50,8 milhões de hectares

Em 41 anos, a Amazônia perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa, enquanto a área destinada à agropecuária cresceu 440%.

A pastagem foi o principal uso identificado após a conversão inicial da vegetação e esteve presente em 77% dos casos de conversão, com sua área ampliada em 556%. Em 2025, ocupava 50,8 milhões de hectares, o equivalente a 12% de todo o bioma.

Além disso, a área agrícola passou de 161 mil hectares, em 1985, para 8,6 milhões de hectares, em 2025. No mesmo intervalo, o cultivo de soja cresceu de 1,4 mil hectares para 7 milhões de hectares.

A mineração também se expandiu com aumento de quase 14 vezes, de 32 mil hectares para 440 mil hectares. Desse total, 47% foram abertos nos últimos dez anos.

Áreas úmidas perderam 2,7 milhões de hectares

As áreas úmidas da Amazônia, que incluem rios, lagos e florestas alagáveis, encolheram 4,4% entre 1985 e 2025, uma redução de 2,7 milhões de hectares. Segundo o levantamento, 60% das áreas convertidas passaram a ser utilizadas como pastagem.

Os dez anos com as menores extensões de áreas úmidas da série histórica ocorreram na última década.

Amacro concentra 13% da perda de vegetação

A região da Amacro, formada por municípios do Amazonas, Acre e Rondônia, perdeu 7 milhões de hectares de vegetação nativa desde 1985, uma redução de 16%. O território concentrou 13% de toda a perda registrada no bioma no período. Na região, a área de pastagem aumentou 15 vezes.

O levantamento também aponta diferenças na proporção de vegetação nativa remanescente entre os estados que compõem a Amazônia.

Amapá (95,5%), Amazonas (94,6%) e Roraima (92,3%) têm as maiores proporções de vegetação nativa. No outro extremo estão Tocantins (24,6%), Maranhão (49,8%), Rondônia (59,1%) e Mato Grosso (61,7%). O Acre registra 84,2% de vegetação nativa remanescente.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo cnn