Março Amarelo chama atenção para sintomas e diagnóstico da endometriose

O Março Amarelo, mês de conscientização sobre a endometriose, chama atenção para os principais sintomas da doença e para o diagnóstico ainda tardio enfrentado por muitas mulheres.
Cólicas menstruais intensas, dor pélvica frequente, dor durante a relação sexual e fluxo menstrual intenso estão entre os sinais que devem ser investigados.
A médica Maria Luísa Capriglione, especialista em reprodução assistida, explica que um dos sinais de alerta é a chamada dismenorreia progressiva, caracterizada pelo aumento gradual da intensidade das cólicas ao longo do tempo. “É aquela pessoa que diz assim: ‘Eu nunca senti cólica, mas faz uns dois anos que eu estou sentindo muito’ ou aquela pessoa que já tinha cólicas fortes, mas que piorou”, disse sobre a progressão da dor.
Segundo Capriglione, outros sinais que podem indicar endometriose incluem dor retal durante a evacuação no período menstrual e desconforto ao urinar, conhecido como disúria. “É a pessoa que toda menstruação tem dor para urinar ou tem infecção urinária. Que, na verdade, não. É endometriose na bexiga”, explica a médica.
A ausência de cólicas menstruais fortes não descarta a possibilidade de diagnóstico. No entanto, na maioria dos casos, mulheres com endometriose apresentam cólicas intensas e progressivas.
Apesar dos sintomas, o diagnóstico da endometriose ainda costuma ser tardio. Em média, mulheres podem levar mais de sete anos entre o surgimento das primeiras queixas e a confirmação, de acordo com a médica.
Durante muito tempo, o diagnóstico da endometriose era feito apenas por meio de cirurgia, o que exigia que as pacientes se submetessem a um procedimento invasivo para confirmar a doença. Atualmente, com o avanço dos exames de imagem e a maior divulgação sobre o tema, o diagnóstico tem se tornado mais acessível.
Hoje, os principais exames utilizados são a ultrassonografia e ressonância magnética com preparo intestinal. Com esses recursos, em muitos casos já é possível confirmar o diagnóstico apenas por imagem, sem a necessidade de cirurgia.
As causas da endometriose ainda não são completamente conhecidas pela medicina. Segundo a médica, existem diferentes teorias que tentam explicar o surgimento da doença, envolvendo fatores imunológicos, hereditários e inflamatórios. “A teoria mais aceita é que nas pessoas que têm endometriose ocorre uma menstruação retrógrada. Ou seja, ao invés de menstruar pela vagina, o sangue também sai pelas tubas e vai acometendo ali os órgãos pélvicos. Ou seja, intestino, ovário, que estão ali próximos”, considera Maria Luísa Capriglione.
Em relação à cura, a médica explica que, por muito tempo, acreditou-se que a endometriose não poderia ser completamente tratada. Atualmente, no entanto, existem diferentes formas de tratamento, incluindo a cirurgia, que pode remover focos da doença. Mesmo assim, ela ressalta que a paciente precisa manter acompanhamento contínuo. “Claro que a mulher sempre vai ter que estar cuidando dessa parte inflamatória”, destaca.
Ela alerta que campanhas como o Março Amarelo ajudam na divulgação de formas de prevenir a doença. “Quanto antes a gente tiver o diagnóstico, mais essa mulher vai ter uma boa qualidade de vida, ela vai conseguir tratar idealmente e ela vai poder pensar na fertilidade dela”, disse.
Fertilidade
A endometriose também pode afetar diretamente a fertilidade feminina. De acordo com a médica, metade das mulheres diagnosticadas com a doença pode apresentar dificuldade para engravidar. “Mulheres com endometriose têm uma chance aumentada de alterações nas trompas. Então, ela pode obstruir as trompas. Ela pode deixar as trompas enoveladas, dilatadas. Principalmente alterações nas tubas”, comenta Maria Luísa.
A médica também explica que a doença pode diminuir a taxa de fertilização e comprometer a qualidade dos óvulos. “O encontro do óvulo com o espermatozoide fica diminuído”, afirma.
Nos casos em que a mulher descobre a endometriose enquanto tenta engravidar, o tratamento costuma começar por medidas consideradas mais conservadoras. Segundo a especialista, mudanças no estilo de vida são parte fundamental do cuidado. “A gente sempre preza pelo tratamento mais alternativo, que inclui melhora da dieta, dos hábitos de vida, da prática de exercício físico, da qualidade do sono e suplementação”, explica.
Quando a paciente deseja engravidar, o primeiro passo é avaliar se há possibilidade de gestação natural. Para isso, são analisados fatores como a condição das trompas, a quantidade de óvulos e a idade da mulher.
Caso a gravidez espontânea não seja possível ou não aconteça, uma das alternativas é recorrer às técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro.
TRIBUNA DO NORTE
