Marqueteiro do RN diz que IA vai dominar eleições 2026: ‘Quem não usar está morto’

O político que não utilizar ferramentas de inteligência artificial (IA) na campanha eleitoral de 2026 “está morto”. A frase é do marqueteiro potiguar Alan Oliveira, fundador do grupo Fácil Comunicação e da Persona Marketing.
Com 45 campanhas vitoriosas no portfólio, o estrategista acredita que a próxima disputa eleitoral será o grande divisor de águas da comunicação política no Brasil, com a IA ocupando papel central tanto na construção quanto na desconstrução de candidaturas.
“Quem não usar a IA na campanha de 2026 está morto. Ele não vai conseguir competir e acompanhar o ritmo que hoje a inteligência artificial tem e que faz o processo ser muito mais rápido, assertivo e otimizado”, afirma Alan, em entrevista ao AGORA RN.
Segundo o consultor de comunicação, a inteligência artificial não deve ser vista como ameaça pelos profissionais da área, mas como ferramenta indispensável de competitividade. “A IA chegou como uma aliada, não é adversária nossa para quem trabalha com comunicação.”
Com os pré-candidatos movimentando suas redes sociais e participando de atos públicos, Alan destaca que a disputa eleitoral efetivamente já começou, mesmo antes do período oficial de campanha, que só terá início em agosto. O marqueteiro enfatiza que quem não estiver estruturando equipe, testando ferramentas e montando estratégia ficará para trás.
A fase atual é de experimentação intensa. Diversos grupos políticos já estão “azeitando a máquina” para não serem surpreendidos quando a campanha estiver oficialmente nas ruas. “Quem achar que não precisa dela, lá na frente, não vai conseguir acompanhar o ritmo das guerrilhas, das militâncias digitais, para formar opinião e vencer a eleição”, argumenta.
Ele aponta que a ausência de regulamentação clara amplia a sensação de terreno instável. Por isso, para o marqueteiro, o momento é de testar. “Hoje, não ter a inteligência artificial regulamentada deixa todos nós numa situação sem controle. Então, cada um está testando, criando a sua estratégia, montando os seus exércitos.”
O risco de exagerar e perder a identidade
Apesar do entusiasmo com as possibilidades da IA, o marqueteiro faz um alerta sobre os riscos de artificializar demais a imagem do candidato. “É bom só ter um cuidado para não mascarar, de não deixar aquela pessoa uma máquina e o que seria divertido se tornar ridículo”, acrescenta.
Ele afirma que nem toda estratégia de comunicação serve para todo perfil político. Ele declara que a empolgação com a IA pode fazer políticos abalarem uma reputação de décadas. “A nem todo mundo é possível aplicar todas as estratégias, ferramentas, memes. Tornar aquela pessoa mais engraçada, ridicularizar e querer ser jovenzinho pode ser um grande tiro no pé”, ressalta.
Na avaliação dele, a mecanização excessiva pode destruir o principal ativo de uma candidatura: a autenticidade dos candidatos.
“Há políticos que têm a característica de uma comunicação mais humana. Ele humaniza, conta histórias, está perto do eleitor dele, da população. Se você mecanizar e industrializar demais, com inteligência artificial, você vai perder a maior identidade que aquele político tem, que é o humano que ele é”, destaca o marqueteiro.
Ele cita dois casos de políticos bem sucedidos nas redes para mostrar que nem todos precisam usar a mesma fórmula. De um lado, o prefeito do Recife (PE), João Campos (PSB), usa uma comunicação considerada mais “humana”, com pouca IA. De outro, o prefeito de Florianópolis (SC), Topázio Neto (PSD), usa bastante tecnologia em suas redes.
Deepfakes e fake news: o lado sombrio
Se a IA é ferramenta de competitividade, também é instrumento de ataque. Alan Oliveira afirma que a produção de conteúdos falsos deve crescer de forma exponencial em 2026. Ele alerta que a IA vai acelerar a disseminação de desinformação.
Segundo Alan, o volume de desinformação tende a ser impossível de conter. “A quantidade de deepfakes que vai acontecer para as eleições desse ano é imparável.” Ele ainda cita um dado alarmante: “A gente tem a cada 60 segundos cerca de 18 fake news no Brasil.”
Além disso, o marqueteiro menciona que já existem perícias digitais identificando conteúdos manipulados. Isso pode ser ruim mesmo que o conteúdo não seja depreciativo sobre o político. “As perícias digitais começam a constatar alguns políticos que têm gravado bastante conteúdos com inteligência artificial. Isso, para a imagem, é muito ruim, porque pode mostrar que aquele candidato é fake.”
Para ele, o impacto na reputação pode ser devastador. “Se isso cair na boca do eleitor, ele começa a perceber o que aquela pessoa, aquele político não é de verdade. Ele não vai aceitar que foi feito com inteligência artificial.”
IA nas pesquisas e na estratégia
Alan Oliveira afirma que a inteligência artificial já está sendo incorporada aos diagnósticos eleitorais, especialmente nas pesquisas qualitativas e quantitativas. “As pesquisas hoje estão cada vez mais com cruzamentos com inteligência. A IA está dentro do processo das pesquisas quantitativas e qualitativas. Isso tem nos ajudado.”
Segundo ele, a IA potencializa análises, mas não substitui metodologias tradicionais. “Essa, para mim, ela é insubstituível. Jamais pode substituir essa metodologia. Principalmente quando a gente fala nessa fase agora de pesquisas qualitativas.”
Ele defende a criação de núcleos especializados nas agências de publicidade e marketing político. “As equipes precisam se comunicar, as agências precisam se preparar cada vez mais, criar núcleos de IA para essa fase fundamental.”
Outro ponto destacado é a velocidade. Ferramentas surgem e se tornam obsoletas em questão de semanas. “Ferramenta, novidade na inteligência artificial surge todos os dias. O que era novidade em dezembro, mudou em janeiro, mudou em fevereiro e está mudando todos os dias.”
Para Alan, quem não tiver equipe treinada perde competitividade e pode até perder contratos. “Se você não tem uma equipe preparada, daqui que a equipe ligue o botão e anote a placa de quando vai colocar isso na rua, o seu cliente vai olhar e vai dizer: ‘olha, não preciso mais’.”
A emoção continua insubstituível
Mesmo afirmando que a IA pode dominar até metade do movimento eleitoral, Alan sustenta que a decisão final permanece humana. “A grande sacada para as eleições desse ano é entender que a emoção é insubstituível na comunicação.”
Ele conclui reforçando que tecnologia e presença física não competem, mas se complementam. “O modelo tradicional, o antigo, de estar perto do eleitor, conversando com ele, tomando café com ele, ouvindo, parando para dar atenção à pessoa perto, isso é insubstituível.”
E finaliza com a frase que sintetiza sua visão sobre o limite da tecnologia na política: “Quem vai apertar o voto no dia 4 de outubro não é máquina, é gente.”
agora rn
