Melhora da alfabetização no RN exige nova estratégia, apontam educadores

Os números do Indicador Criança Alfabetizada (ICA) dos municípios mostram que, apesar de haver evoluções, as cidades ainda enfrentam uma série de desafios para alcançar as metas de alfabetização. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira 1º pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Em Natal, apenas 40% das crianças estão alfabetizadas na idade certa. O pior resultado está em Paraú, com 9%.
Já o melhor resultado está em Taboleiro Grande, com 97% das crianças alfabetizadas na idade certa. Outros destaques são: Rafael Godeiro (95%), São Vicente (90%), São Francisco do Oeste (84%), Nísia Floresta (83%), Venha-Ver (83%), Alto do Rodrigues (81%) e Ouro Branco (81%). O município de Mossoró, segunda maior cidade do Estado, aparece com 57%.
De acordo com o presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime-RN), Petrúcio Ferreira, desde 2023 existe uma cultura de acompanhamento, monitoramento e identificação, por meio de avaliações diagnósticas, das potencialidades de desenvolvimento das habilidades dos estudantes.
“Hoje, nós já conseguimos realizar uma série de avanços, principalmente naquilo que a gente considera essencial para a alfabetização das nossas crianças, que é a implementação de um compromisso por parte de todos os educadores das redes, dos territórios, dos 167 municípios”, disse o presidente da Undime.
Ele destaca que, entre as medidas adotadas, está o regime de colaboração, com formações continuadas, novas estratégias, metodologias de desenvolvimento da aprendizagem e melhor aproveitamento do tempo em sala de aula.
“É preciso compreender que o século XXI não se alfabetiza mais no estilo do século XX. Entendendo que a cultura mudou, nós precisamos criar estratégias e pontos para modificar a cultura”, afirmou.
Nesse contexto, segundo ele, é necessário fortalecer as formações continuadas com base no monitoramento de dados, já que o trabalho atual se apoia em números e indicadores que permitem identificar habilidades alcançadas e aquelas que ainda precisam ser desenvolvidas no processo de alfabetização, sendo esse acompanhamento essencial para a melhoria dos resultados.
O gestor também destaca a importância de enfrentar a rotatividade de profissionais, garantindo a permanência de professores efetivos à frente das turmas do primeiro e segundo ano, como forma de assegurar continuidade no acompanhamento dos estudantes. Ele afirmou ainda que a colaboração entre prefeituras, governo estadual e Ministério da Educação tem sido muito eficaz.
“O Governo Federal, por meio da rede Renalfa (Rede Nacional de Articulação de Gestão, Formação e Mobilização), tem trabalhado fortemente junto a estados e municípios para que haja o desenvolvimento da implantação, do monitoramento e, consequentemente, dos resultados da alfabetização dos estados brasileiros”, explicou.
Segundo ele, a Undime tem intensificado a articulação entre os municípios com o objetivo de fortalecer os resultados da alfabetização na rede pública. O trabalho envolve o diagnóstico detalhado da realidade de cada município, permitindo a identificação de pontos fortes, fragilidades, ameaças e oportunidades.
A partir desse levantamento, são traçadas estratégias específicas para cada contexto, com foco no cumprimento das metas estabelecidas pelo Ministério da Educação. A iniciativa abrange municípios de todos os portes, incluindo regiões urbanas e rurais.
Dados
Menos da metade das crianças de Natal (40%) está alfabetizada na idade certa, de acordo com o Indicador Criança Alfabetizada (ICA). É necessário que haja pelo menos 70% dos alunos participando do estudo. Em âmbito estadual, Natal está na 127ª posição, de um total de 166 municípios que participaram da avaliação — apenas São José do Campestre ficou de fora.
Entre as capitais brasileiras, Natal está na vice-lanterna, à frente apenas de Porto Alegre (27%). A avaliação na capital gaúcha, porém, foi afetada pelas enchentes, o que leva pesquisadores a relativizarem os dados. Sem Porto Alegre, Natal estaria na última posição entre as capitais.
Natal também está abaixo da média do Rio Grande do Norte, que atingiu 48% de crianças alfabetizadas. O estado, por sua vez, tem o pior percentual do País. A média nacional é de 66%. O Rio Grande do Norte registrou um avanço de 39% para 48% entre 2024 e 2025.
O ICA mede o percentual de estudantes do 2º ano do Ensino Fundamental que atingem o padrão nacional de alfabetização em leitura, escrita e fluência. O indicador tem como objetivo monitorar o desempenho das redes públicas e orientar políticas pedagógicas para garantir a alfabetização até o fim do 2º ano.
Como funciona o indicador
O ICA é calculado a partir de avaliações aplicadas aos estudantes, compostas por 16 questões de múltipla escolha e três de resposta construída, incluindo produção textual. O padrão nacional de alfabetização foi fixado em 743 pontos na escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), com base na pesquisa Alfabetiza Brasil, realizada em 2023.
Alunos que atingem esse nível demonstram capacidade de ler palavras, frases e textos curtos, localizar informações explícitas e inferir sentidos em textos com linguagem verbal e não verbal.
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