Movimento Janeiro Seco estimula interrupção no consumo de álcool

O movimento Janeiro Seco incentiva a redução ou interrupção do consumo de bebidas alcoólicas durante o mês de janeiro. A proposta busca promover um período de desintoxicação do organismo, estimular o autocontrole e favorecer ganhos à saúde física e mental, além de abrir espaço para hábitos mais saudáveis, como a prática de atividades físicas e o desenvolvimento de novos interesses.
Ainda pouco conhecido no Rio Grande do Norte, o Janeiro Seco trata do álcool, a principal substância associada a problemas de saúde e sociais, conforme o psiquiatra Ernane Pinheiro, presidente da Associação Norte-rio-grandense de Psiquiatria. “Esse Janeiro Seco é um nome importante, porque tem a ver com o álcool, que é a principal droga que causa problemas na nossa sociedade”, destaca.
Ficar 30 dias sem consumir álcool pode trazer benefícios significativos para a saúde mental, cognição e funcionamento cerebral como um todo. O psiquiatra relata melhora na clareza do pensamento, na velocidade de raciocínio, na capacidade de planejar o futuro e tomar decisões, além de impactos positivos na qualidade do sono e no equilíbrio emocional.
“Para pacientes que têm, por exemplo, demência alcoólica, que é um quadro crônico de alcoolismo, passar um mês sem beber não implica em grandes melhoras, mas para aqueles pacientes que estão em outras condições, que são a maioria, certamente em um mês ele tem uma grande melhora na saúde física e mental”, explica o médico.
A ansiedade e a depressão são os quadros mais notavelmente afetados pelo uso do álcool, sobretudo por serem as condições mais frequentes no atendimento psiquiátrico. No entanto, os impactos não se limitam a esses transtornos: praticamente todas as doenças mentais sofrem algum tipo de interferência associada ao consumo de álcool.
O alcoolismo também afeta a segurança, segundo o especialista: “A grande maioria dos crimes que são cometidos por pessoas que têm doenças psiquiátricas, o uso das drogas e, principalmente, do álcool está envolvido. Por exemplo, se você for procurar saber a respeito de violência contra a mulher, assassinatos, acidentes de trânsito e tudo mais, boa parte desses casos, o uso de drogas está associado, sendo o álcool o principal entre eles”.
O uso frequente de álcool implica na complicação de qualquer doença. Não existe nenhum benefício adquirido pelo uso do álcool, principalmente em doses moderadas ou intensas. “É importante ficar abstinente, tanto para as pessoas que já estão dependentes, como para aqueles que não são dependentes químicos, mas estão deixando o álcool”, alerta Ernane Pinheiro.
Atenção aos sinais de alcoolismo
Alguns sinais servem como alerta para o alcoolismo e merecem atenção. Um dos principais é a dificuldade de parar de beber: a pessoa até tenta interromper o consumo, mas acaba sempre retomando. Essa perda de controle sobre a quantidade ou a frequência do uso já indica um risco importante, segundo Pinheiro.
Outro sinal recorrente é a continuidade do consumo apesar das consequências negativas. Mesmo diante de prejuízos na vida pessoal, profissional, familiar ou social — e apesar dos conselhos de pessoas próximas — o indivíduo não consegue parar de beber. “Ele passa a priorizar o uso do álcool em detrimento de outras atividades ou obrigações”, afirma o psiquiatra.
Também são indicativos de dependência o desenvolvimento de tolerância, quando a pessoa precisa consumir quantidades cada vez maiores para obter o mesmo efeito, e a presença de sintomas de abstinência ao tentar interromper o uso. Esses fatores, em conjunto, caracterizam a dependência alcoólica e sinalizam a necessidade de iniciar tratamento.
“Quando a pessoa apresenta síndrome de abstinência ou começa a consumir cada vez mais, ou seja, a tolerância, esses são os principais motivos para dizer que a pessoa tornou-se um dependente e deve começar a se tratar”, destaca.
A recomendação da psiquiatria e da medicina de forma geral é clara: a abstinência total.
Não há garantias de que o uso de álcool não evolua para abuso ou dependência. “Não existe nenhuma garantia de que uma pessoa inicie o uso de álcool e não passe do uso para o abuso ou para a dependência. Então, por segurança, recomenda-se a abstinência total”, indica Ernane Pinheiro.
tribuna do norte
