Obesidade em adultos atendidos pelo SUS cresce 200% em 6 anos no RN

Postado em 6 de fevereiro de 2026

O índice de adultos com obesidade atendidos pelo Sistema Único de Saúde no Rio Grande do Norte cresceu 200,8% entre 2019 e 2025, passando de 71.560 para 215.282 potiguares com a condição, dentro do recorte analisado. Em termos percentuais, 31,3% da população adulta atendida na rede pública do Estado (228.503 pacientes) estava obesa em 2019, contra 40,4% no ano passado (quando foram atendidos 532.102 adultos no SUS do RN), um aumento de 9,3 pontos percentuais. Os dados estão disponíveis no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) do Ministério da Saúde.

No Brasil, o índice de obesidade na população em geral dobrou em 18 anos, saindo de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024, segundo o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Igor Marreiros, que é cirurgião bariátrico no Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), em Natal, explica que as causas para o aumento registrado no RN e no País são multifatoriais e estão relacionadas a fatores como hábitos alimentares (20,9% dos natalenses ouvidos pelo Vigitel consumiram cinco ou mais alimentos ultraprocessados no dia anterior à entrevista), rotinas de trabalho e questões genéticas.

O médico chama atenção para o fato de que, no caso dos dados do Sisvan, as informações são uma amostra que representa a população mais vulnerável economicamente. Ele observa que a obesidade é uma condição que provoca diversas doenças como diabetes e hipertensão, as quais, consequentemente, levarão a problemas cardiovasculares e renais, insuficiência cardíaca e outros. “Isso acaba se transformando em um grande problema de saúde pública”, diz o médico.


Ele esclarece que existem grupos mais suscetíveis à obesidade, como aqueles ligados ao fator idade, uma vez que, com o envelhecimento do organismo, o metabolismo cai, gerando um aumento natural de gordura corporal. Mas este não é o principal grupo afetado, na avaliação do especialista. “As populações de menor renda são as mais suscetíveis porque, quanto menor a capacidade socioeconômica, maior a chance de optar pelo sedentarismo e de escolher alimentos de menor qualidade”, frisa Marreiros.

Essas populações, de acordo com o médico, são impactadas, ainda, por fatores como qualidade do sono. “São pessoas que geralmente vivem nas periferias, moram distante do trabalho e, portanto, gastam mais tempo com deslocamento. Isso impacta na quantidade de horas dormidas e nas atividades de lazer, tornando-as mais sedentárias”, sublinha. O sono foi um aspecto avaliado pela primeira vez pelo Vigitel (o sistema não divulgou os dados sobre obesidade por estados nem capitais).


O levantamento concluiu que 20,2% dos adultos nas capitais disseram dormir menos de 6 horas por noite e 31,7% dos adultos têm pelo menos um dos sintomas de insônia, com maior prevalência entre mulheres (36,2%) que homens (26,2%). Em Natal, o índice da população que dorme menos de seis horas por noite ficou em 19,7%. Também na capital potiguar, 28,7% têm pelo menos um dos sintomas de insônia, com prevalência maior do mesmo modo que no restante do país, em mulheres (28,8%).

Tratamento combinado


O tratamento para obesidade é feito por meio de uma combinação que envolve o uso de medicamentos, dieta, prática de exercícios físicos e cirurgia bariátrica, conforme detalha a médica-cirurgiã do Aparelho Digestivo, Anna Carolina Batista. Ela explica que a combinação depende da avaliação de cada paciente. “Também é possível que a pessoa tome os medicamentos sem a necessidade de bariátrica”, pontua Anna, que é diretora científica da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.


Segundo ela, o procedimento é indicado para os casos mais graves de obesidade. A condição é medida pelo índice de massa corporal (IMC) e também de forma individual, com base no quadro de complicações já desencadeadas em um paciente. “Se a pessoa obesa tem IMC 30, que caracteriza o grau I [mais leve], mas apresenta complicações como problemas renais, de visão ou diabetes, por exemplo, ela já é uma importante candidata à bariátrica”, detalha.

Anna Carolina Batista pontua que no Huol, principal unidade do Sistema Único de Saúde do RN a fazer cirurgia bariátrica, o número de procedimentos por mês varia entre 15 e 20, quantidade considerada alta dada a estrutura do hospital, mas que representa uma pequena fração diante da gravidade do problema. “Estudos em todo o país mostram que o Brasil opera menos de 1% dos pacientes com as condições para a bariátrica. E no SUS, esse índice é bem mais alarmante: apenas 0,3% dos pacientes com indicação são operados”, destaca.


Além do aumento nos números sobre obesidade, o Brasil registrou alta expressiva nos dados que mostram o cenário da população com sobrepeso: segundo o Vigitel, em 2024, 62,6% dos brasileiros tinham excesso de peso, contra 42,6% em 2006, crescimento de 20 pontos percentuais. No RN, os índices para os atendimentos no SUS se mantêm estáveis desde 2019, em cerca de 35%, conforme dados do Sisvan.

De acordo com o levantamento do Vigitel, o diagnóstico médico de diabetes em adultos apresentou aumento de 5,5%, em 2006, para 12,9% em 2024 no Brasil. A hipertensão em adultos, por sua vez, passou de 22,6% para 29,7%.

TRIBUNA DO NORTE