Obesidade na infância não é fofura! Proteja seu filho de complicações futuras

Postado em 24 de março de 2026

Todo mundo adora um bebê fofinho, né? Dobrinhas e bochechas deliciosas para apertar. Mas a ideia antiga de que “bebê gordinho que é saudável” precisa ser urgentemente desmistificada.

Todo o excesso pode trazer riscos à saúde, especialmente nos primeiros anos de vida, como problemas motores, respiratórios e predisposição a doenças crônicas no futuro.

Eu digo isso com lugar de fala porque fui uma “bebê Michelin” nos anos 80. Minha avó achava lindo ser gordinha e, além de me entupirem de comida, ainda me davam um remédio para abrir o apetite.

Isso moldou toda a minha relação com a comida, e ganhar e perder peso virou uma batalha que travo durante toda a minha vida.

Uma vez criados, eles ficam para sempre

Estou falando dos hábitos saudáveis e adipócitos (as células de gordura!). Nos primeiros anos de vida – até os 5 anos -, o corpo está em intensa formação. O número de células de gordura aumenta, o paladar está sendo moldado e o cérebro aprende quais alimentos são “normais”.

Quando a criança consome muito açúcar e ultraprocessados já nessa fase, o organismo tende a criar maior número de adipócitos e desenvolver preferência por alimentos muito doces muito cedo.

E é muito importante deixar claro aqui que, depois que essas células de gordura se formam, elas não desaparecem — apenas diminuem de tamanho.

De acordo com o Dr. Matheus Alves Álvares, endócrino pediatra, responsável pelo departamento de endocrinologia do Sabará Hospital Infantil, esse processo é contínuo ao longo da faixa etária pediátrica. “A formação precoce excessiva dos adipócitos é um fator de risco para estabelecimento e manutenção de obesidade futura”, alerta.

Tempo de qualidade

Mas o que isso tem a ver com tempo de qualidade? Tudo!

Uma criança com sobrepeso tem limitações físicas e baixa autoestima. Por isso, a rotina familiar e o tempo de qualidade podem influenciar muito os hábitos das crianças.

“Bons hábitos como alimentação balanceada, presença da família nas refeições, redução do tempo de tela, estabelecimento de horários regulares de sono e prática regular de atividade física são excelentes exemplos que a família pode pregar e utilizar no dia a dia”, explica o Dr. Matheus.

Quando falta presença, escuta, brincadeira e uma rotina estruturada, as crianças podem descontar na comida, nas telas e nos comportamentos repetitivos e sedentários.

O que podemos fazer?

Toda criança precisa de acompanhamento médico e individual do seu desenvolvimento. Só o pediatra poderá fazer uma avaliação precisa da saúde do seu bebê.

No entanto, deixo aqui cinco passos que ajudam a guiar uma rotina de escolhas saudáveis:

  • Oferecer alimentação equilibrada (menos ultraprocessados, mais comida de verdade);
  • Incentivar atividade física diária (brincar já conta!);
  • Reduzir tempo de telas;
  • Evitar usar comida como recompensa;
  • Dar o exemplo dentro de casa.

R7