Obesidade x sobrepeso: quando o uso de canetas é indicado

O avanço no uso de medicamentos injetáveis para perda de peso tem provocado debates entre especialistas sobre quem realmente deve recorrer a esse tipo de tratamento. Popularmente conhecidas como “canetas”, essas substâncias passaram a ser associadas não apenas ao controle do diabetes, mas também ao emagrecimento, o que ampliou sua procura — inclusive por pessoas sem indicação clínica formal.
Médicos alertam que a obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial, que vai muito além de questões estéticas. O diagnóstico leva em conta principalmente o índice de massa corporal (IMC), mas também fatores como histórico clínico, presença de doenças associadas e distribuição de gordura no corpo. De forma geral, indivíduos com IMC igual ou superior a 30 são classificados como obesos, enquanto aqueles com IMC entre 25 e 29,9 são considerados com sobrepeso.
Apesar disso, especialistas chamam atenção para o uso inadequado da medicação por pessoas que não se enquadram nesses critérios. O tratamento com canetas é recomendado, prioritariamente, para pacientes com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol elevado ou doenças cardiovasculares. Fora desse contexto, o uso pode trazer riscos e não deve ser banalizado.
Os medicamentos atuam principalmente no controle do apetite e na regulação de hormônios ligados à saciedade. Ao reduzir a fome e aumentar a sensação de satisfação após as refeições, eles contribuem para a diminuição da ingestão calórica. No entanto, seu uso exige acompanhamento médico contínuo, já que podem provocar efeitos colaterais como náuseas, vômitos, diarreia, constipação e, em alguns casos, complicações mais graves.
Outro ponto destacado por especialistas é que o tratamento não substitui mudanças no estilo de vida. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento multiprofissional continuam sendo fundamentais para resultados sustentáveis. O uso isolado da medicação, sem essas mudanças, tende a ter eficácia limitada e pode levar ao reganho de peso após a interrupção.
Além disso, há preocupação com a crescente medicalização do emagrecimento. O uso das canetas por pessoas que buscam apenas fins estéticos, sem indicação clínica, levanta discussões éticas e de saúde pública. Para os médicos, é essencial diferenciar o que é obesidade — uma condição que exige tratamento — de padrões corporais diversos que não necessariamente representam risco à saúde.
A recomendação é que qualquer decisão sobre o uso desses medicamentos seja tomada com base em avaliação individualizada. O acompanhamento profissional permite identificar a real necessidade do tratamento, definir a melhor abordagem terapêutica e monitorar possíveis efeitos adversos, garantindo maior segurança ao paciente.
Por O Correio de Hoje
