OPINIÃO DO PORTAL

Postado em 5 de outubro de 2026

Uma pergunta para reflexão: você viu, depois do resultado das eleições deste domingo, algum grande movimento de bolsonaristas questionando as urnas eletrônicas, defendendo o voto impresso ou colocando em dúvida a rapidez da apuração?

É uma pergunta legítima. Durante muito tempo, ouvimos questionamentos sobre a segurança das urnas, sobre a necessidade do voto impresso e até sobre a forma como os votos eram totalizados. Mas, quando o resultado atende às expectativas de determinado grupo político, esse assunto parece perder espaço.

Isso não significa dizer que todo eleitor de Bolsonaro pensa dessa maneira, nem que questionar uma eleição seja proibido. Em uma democracia, qualquer cidadão tem o direito de fazer perguntas e cobrar transparência. O problema aparece quando a confiança nas instituições parece depender do resultado eleitoral.

O sistema eleitoral brasileiro possui mecanismos de fiscalização e auditoria. O Boletim de Urna, por exemplo, permite conferir o resultado de cada seção, enquanto os testes de integridade fazem parte dos mecanismos de verificação do processo. Nas eleições de 2026, o próprio TSE informou que o teste de integridade realizado no primeiro turno confirmou a correspondência entre os votos registrados em cédulas e aqueles contabilizados pelas urnas.

Por isso, talvez a reflexão mais importante seja esta: se uma instituição é confiável quando o nosso lado vence, ela também não deveria ser confiável quando o nosso lado perde?

A democracia não pode funcionar com duas regras: uma para quando ganhamos e outra para quando perdemos. Questionar é legítimo. O que precisamos evitar é transformar a dúvida em certeza sem apresentar provas.

No fim das contas, independentemente de quem venceu ou perdeu, o que deveria prevalecer é o respeito ao voto, às instituições e à vontade expressa pelas urnas.