Oposição pede à PF reforço na segurança de André Mendonça

Postado em 6 de março de 2026

Senadores da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolaram na quinta-feira, 5, um pedido de reforço da segurança do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça à Polícia Federal, após vir a público a informação de que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pagava R$ 1 milhão por mês para Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, monitorar e ameaçar críticos.

Os senadores Magno Malta (PL-ES) e Eduardo Girão (Novo-CE), autores do pedido, manifestam “preocupação” com a segurança do magistrado.

“A presente solicitação fundamenta-se na necessidade de preservação da segurança das autoridades públicas responsáveis pela condução de investigações e decisões judiciais envolvendo organizações criminosas de grande porte, bem como na proteção da própria estabilidade das instituições da República”, diz o documento endereçado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Mendonça, relator do caso sobre o banco no Supremo, autorizou, na quarta-feira, a prisão de Vorcaro, Sicário e outros na nova fase da Operação Compliance Zero, sobre irregularidades na operação do Banco Master. Após ser detido, Sicário se matou.

Vorcaro é acusado de comandar uma estrutura privada de vigilância e coerção, denominada “A Turma”, que teria o objetivo de ter acesso de forma ilegal a informações sigilosas e intimidar de opositores.

Em troca de mensagens interceptadas pela Polícia Federal, Vorcaro pediu a Sicário que o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, fosse agredido em um assalto forjado.

“Esse Lauro Jardim bate cartão todo domingo? Hrs hein. Lanço uma nova sua? Positiva”, enviou Mourão no WhatsApp. “Sim”, respondeu o banqueiro. “Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele”, sugeriu Vorcaro. “Vou fazer isto”, informou Sicário “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, completou o banqueiro.

Segundo a assessoria de imprensa de Daniel Vorcaro, “o empresário informou, no momento de sua prisão, que jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto”.

Suicídio de ‘Sicário’

A PF está investigando a tentativa de suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” de Daniel Vorcaro, após ser preso na quarta-feira, 4. Ele chegou a receber atendimento e foi levado ao hospital, mas não resistiu e morreu. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que “toda a ação dele e o atendimento pelos policiais estão filmados sem pontos cegos”.

O ocorrido foi comunicado pela PF ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF. A tentativa de suicídio ocorreu enquanto Luiz Phillipi estava sob custódia na Superintendência Regional do órgão em Minas Gerais. Ele foi preso pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero.

Segundo nota publicada pela PF de Minas Gerais, “ao tomarem conhecimento da situação, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciando procedimentos de reanimação e acionando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu)”.

De acordo com fontes da Polícia Federal, Luiz Phillipi Machado de Moraes teria se enforcado usando a própria camiseta. Ele foi inicialmente reanimado por cerca de 30 minutos pelo grupo Grupo de Pronta Intervenção da PF/MG (GPI) e levado ao hospital com a chegada da equipe médica do Samu, que o levou ao Hospital João XXIII, onde acabou não resistindo.

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” era responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de adversários e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses de Vorcaro, dono do Banco Master.

Essa informação foi antecipada pelo portal Metrópoles e confirmada pelo Estadão.