Ouro no RN: acordo amplia em 82% potencial de reservas

Um acordo celebrado entre a mineradora canadense Aura Minerals e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) irá permitir a realocação de um trecho da BR-226, que atravessa parte da Mina Borborema, em Currais Novos, no Rio Grande do Norte, onde a empresa explora ouro comercialmente, no chamado Projeto Borborema. De acordo com estimativa da mineradora, a realocação da rodovia irá ampliar em 670 mil onças de ouro a base de reservas minerais da empresa no Estado, permitindo que a Aura alcance uma produção de aproximadamente 1,5 milhão de onças de ouro durante os 20 anos e 5 meses de vida útil da mina, 82% acima do estimado anteriormente. Segundo o DNIT, o acordo está em fase de assinatura entre as partes.
As informações foram publicadas pela Aura Minerals em fato relevante no último dia 26 de fevereiro. De acordo com o documento, a realocação da rodovia permite o avanço imediato na conversão de parcela relevante dos recursos minerais indicados (exclusivos das reservas minerais atuais) em reservas minerais prováveis.
A mina localizada em Currais Novos, na região Seridó, teve sua operação comercial iniciada em outubro de 2025. “Com a atualização do Relatório Técnico, a Aura amplia a sua base de Reservas Minerais em 82%, chegando a um total de aproximadamente 1,5 milhão de onças de ouro”, comunicou a empresa no documento. A estimativa é que a produção média anual ponderada seja de 65 mil onças de ouro.
Em resposta à reportagem da TRIBUNA DO NORTE, o DNIT confirmou que o pleito para celebração de Acordo de Cooperação Técnica (ACT) junto à Aura Minerals está em fase de assinatura entre as partes. Segundo o departamento, o novo traçado da rodovia vai ser custeado com recursos próprios da empresa de mineração, que também está à frente da elaboração dos projetos e execução das obras de realocação.
“Informamos ainda que a alteração somente será efetivada após a conclusão e liberação total do novo segmento da rodovia, garantindo a continuidade do tráfego e evitando prejuízos à população usuária da BR-226”, complementou em nota.
No comunicado oficial da empresa, o presidente e CEO da companhia, Rodrigo Barbosa, afirmou que o acordo representa um marco para acelerar a geração de valor no Projeto Borborema. A empresa também destacou o potencial exploratório adicional do depósito, que permanece aberto em extensão e profundidade, indicando possibilidade de novas campanhas de sondagem para ampliar ainda mais o volume de onças contidas no ativo.
“Com a atualização das reservas totalizando 1,5 milhão de onças — 82% acima do estimado no estudo de viabilidade anterior — estamos já avançando com as soluções de engenharia e de acesso hídrico para ampliar a capacidade, ao mesmo tempo em que damos continuidade à realocação da rodovia. Borborema é um exemplo perfeito de nossa estratégia: iniciar a produção o mais rápido possível, gerar fluxo de caixa positivo em um ambiente de risco controlado e, então, capturar o potencial adicional do ativo”, disse.
Com a atualização do estudo de viabilidade do projeto, os indicadores econômicos apontam para um Valor Presente Líquido (VPL) que totaliza US$ 612,5 milhões (ante US$ 182 milhões no estudo de viabilidade anterior). A Taxa Interna de Retorno (TIR), após impostos, é de 42,8%, considerando preço médio ponderado do ouro de US$ 2.274/onça ao longo de todos os anos operacionais e a taxa de câmbio de R$ 5,70 por US$ 1,00 a partir de 2025.
Ouro em Currais Novos
A mina Borborema está situada na Província Borborema, uma região reconhecida pela riqueza mineral. O depósito de ouro, classificado como orogênico, apresenta mineralização consistente, com veios de quartzo e sulfetos disseminados que garantem recuperações de ouro superiores a 92%.
O projeto é um dos principais em exploração mineral no Estado para os próximos anos, com investimentos da ordem de R$ 1 bilhão. A produção é exportada para a Europa.
TRIBUNA DO NORTE
