Padilha: Doação de insumos à Venezuela não prejudica tratamentos no Brasil

Em entrevista à CNN Brasil, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que os insumos que serão doados pelo governo brasileiro ao Ministério da Saúde da Venezuela não prejudicam em nada os tratamentos de hemodiálise que são realizados no SUS (Sistema Único de Saúde).
“Essa doação é feita por hospitais universitários federais, filantrópicos do SUS e não afetam em nada o tratamento dos cerca de 170 mil brasileiros que fazem diálise no país pelo SUS. Esses são produtos excedentes desses hospitais, não está reduzindo em nada o fornecimento aos atendimentos no Brasil”, disse Padilha.
A cooperação foi anunciada nesta quinta-feira (8) e, de acordo com o ministro, já foram arrecadadas 300 toneladas de insumos.
“Amanhã está confirmada a chegada de um avião venezuelano para pegar cerca de 40 toneladas, esse é o quantitativo que esse avião pode levar. Estamos à disposição de outros voos da Venezuela que venham pegar outros insumos para diálise”, afirmou.
De acordo com o ministro, as doações incluem materiais que não são mais autorizados para uso no Brasil, seguindo orientação da Opas (Organização Panamericana de Saúde).
“Tem alguns produtos de diálise que a gente não utiliza no Brasil por orientação da Opas. [A organização] está buscando em outros países do continente americano a compra desses produtos e já avisamos que vamos financiar essa compra se for necessário”, continuou.
A ajuda vem depois que um ataque militar dos Estados Unidos destruiu um centro de distribuição de insumos para diálise da Venezuela que atendia cerca de 16 mil pessoas, conta Padilha, que também destaca os sentimentos causadores dessa movimentação para ajudar o país vizinho.
“Em primeiro lugar, a solidariedade sanitária. A saúde não tem fronteira. Se a gente não ajuda a cuidar da saúde de um país vizinho como a Venezuela, o Brasil será o primeiro afetado caso tenha esse colapso de tratamento a quem faz diálise naquele país”, explicou.
Além disso, ele relembra a parceria entre os dois países na época da pandemia, quando a Venezuela doou oxigênio para Manaus.
“A gente não pode esquecer que quando a cidade de Manaus entrou em colapso porque não tinha oxigênio por conta da irresponsabilidade na condução da pandemia de Covid-19, foi o oxigênio que veio da Venezuela que ajudou a salvar o nosso povo em Manaus”, citou.
“Então, nós estamos de uma certa forma prestando a mesma solidariedade de um país que teve o seu maior centro de distribuição atacado militarmente, para que não entre em colapso o seu tratamento de pacientes com hemodiálise lá”, concluiu.
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