‘Parte da elite não suporta ver uma mulher como eu governadora do Estado’, diz Fátima

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), afirmou que enfrenta resistência política e social motivada por preconceito de gênero, classe e orientação sexual, sobretudo por parte de segmentos da elite potiguar. A declaração foi feita durante entrevista à Rádio Universitária FM, no programa Tamo Junto, na noite desta terça-feira 27.
Segundo Fátima, há um componente de discriminação que ultrapassa a crítica administrativa ou política. “Tem uma parte da elite desse Estado que não suporta ver uma mulher como eu governadora”, afirmou. Em seguida, detalhou: “Preconceito de classe, preconceito de gênero, preconceito de orientação sexual, preconceito de toda sorte”.
A governadora disse que sua trajetória pessoal e política ajuda a explicar esse incômodo. “Professora do Estado, vinda do interior do Seridó, Paraíba, para a capital do Rio Grande do Norte, migrante, sobrevivente da seca, que passou por muitas dificuldades na vida, viu a fome de perto, um período ficou sem poder estudar, não porque os pais não quisessem, porque não tinham condições”, enumerou.
Fátima afirmou ainda que o incômodo se amplia pelo fato de seu governo ser pautado, segundo ela, por princípios éticos. “Tem uma parte dessa elite aqui que não suporta isso. E que não suporta ver um governo, sem falsa modéstia, pautado, alicerçado nos princípios da ética, da seriedade, da honestidade”, destacou.
Durante a entrevista, a governadora também criticou setores da mídia local, que classificou como “mídia corporativa”, acusando-os de distorcer informações por motivações ideológicas. Segundo ela, esses agentes são “movidos por questões de natureza ideológica” e, “ao invés de informar, desinformam”.
“Há um setor da mídia corporativa, da mídia comercial aqui do Estado, que distorce os fatos, chegando ao ponto de não reconhecer aquilo que está tão visível aos olhos da população, que são os avanços que esse governo tem. Governo tem problema? Tem, como todo governo tem. Agora, os avanços são inegáveis”, enfatizou.
Ao comentar a política de comunicação institucional, Fátima afirmou que adota uma postura de contenção de gastos em publicidade, priorizando áreas sociais. “Eu tenho senso de responsabilidade. Comunicação é superimportante para prestar contas à sociedade, à população. Eu estou aqui em nome dela. Mas, evidentemente, ter um aporte maior de recursos para a comunicação e faltar recursos para as áreas sociais vitais do Estado, aí não tem nem o que discutir de maneira nenhuma”, complementou.
Para a governadora, apesar das resistências, o compromisso central de sua gestão permanece o mesmo.
“O governo tenta romper com essa visão patrimonialista, essa visão fisiológica, essa visão conservadora, com que, no geral, com raríssimas exceções, o Rio Grande do Norte foi conduzido ao longo desses anos. O governo que chega para não ter compromisso com o grupo A, B ou C, com o interesse aqui, com o interesse lá. É para ter compromisso com o interesse legítimo do povo do Rio Grande do Norte. É para olhar para a coletividade, é para governar para todos, é para dialogar com o empresário, com o trabalhador, com os diversos segmentos da sociedade”, finalizou.
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