PF prende Márcio Canella, 2º deputado estadual mais votado do RJ, em caso de lavagem de R$ 7,6 bilhões

Postado em 15 de outubro de 2026

O deputado estadual eleito pelo União Brasil e ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, foi preso nesta quinta-feira (15) durante a Operação Unha e Carne 8, da Polícia Federal (PF). A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Canella foi o segundo mais votado entre os candidatos a deputado estadual no Rio de Janeiro, com mais de 197 mil votos.

O delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, também foi preso na operação. Segundo a PF, o grupo investigado é suspeito de utilizar os postos de combustíveis para lavar dinheiro e teria participação de agentes públicos e articulação político-institucional.

As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e representam um desdobramento da sexta fase da Operação Unha e Carne, realizada em julho. Na ocasião, Canella e Amim foram alvos de mandados de busca e apreensão.

A investigação teve início após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhar à PF um relatório de inteligência financeira que apontou a movimentação de R$ 7,6 bilhões pelo grupo ao longo de seis anos.

Os investigados são suspeitos de envolvimento em crimes como lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e formação de cartel. A Polícia Federal também apura possíveis irregularidades em contratações públicas.

Mandados de prisão

Nesta quinta-feira, agentes federais cumpriram mandados em municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. A operação prevê seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão.

Canella foi preso em casa, em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Além dele e de Marcus Amim, foram presos Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, inspetor da Polícia Civil.

A decisão do STF também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas, a maioria do setor de combustíveis. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento dos mandados relacionados aos policiais civis investigados.

Outras fases da operação

Em julho, Márcio Canella foi preso após a polícia encontrar um fuzil em seu carro. O episódio levou à sétima fase da operação, realizada em setembro, quando o vereador do Rio de Janeiro Jorge Canella, do União Brasil, foi preso por suspeita de posse irregular de arma de fogo de uso restrito.

A investigação ocorre no contexto de medidas determinadas pelo STF no julgamento da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que inclui providências para apurar possíveis relações entre agentes públicos e facções criminosas.

Os fatos seguem sob investigação, e as suspeitas atribuídas aos envolvidos ainda dependem de apuração e do devido processo legal.

tribuna do norte