PL tenta pressionar Câmara por anistia do 8/1 com obstrução, e Motta resiste

O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenta pressionar o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a pautar a urgência do projeto de lei que propõe anistia aos presos do 8 de janeiro.

Para isso, a sua bancada de 92 parlamentares deu início a uma obstrução generalizada no plenário e nas comissões. Ela consiste na utilização de manobras regimentais para atrasar ou evitar deliberações no Congresso.

“Enquanto ele [Motta] não decide, o PL vai estar em obstrução total”, disse o líder do partido, Sóstenes Cavalcante (RJ).

A medida paralisou os colegiados nesta terça-feira 1º, mas não impediu a aprovação de uma medida provisória do governo Lula (PT), que abre crédito extraordinário de R$ 938 milhões a ministérios.
No plenário, o texto foi aprovado por 317 votos a favor e 92 contra, além de duas abstenções. Nos discursos, deputados de oposição pediam “anistia, já”.

O partido diz que só abrirá mão do instrumento quando houver sinalização do presidente da Casa sobre pautar o projeto de lei da anistia. Motta, por sua vez, tem resistido a levar a proposta a plenário, argumentando que não é bom momento.

Segundo aliados, o presidente da Casa se irritou com o movimento de obstrução do PL. De acordo com eles, o gesto é desproporcional. Ao partido de Bolsonaro ele disse que consultará os demais líderes sobre o projeto.

Um dos riscos da medida do partido de Bolsonaro, que é acompanhada pelo Novo também, é prejudicar a aprovação do projeto de lei que impõe a reciprocidade de regras ambiental e comercial nas relações do Brasil com outros países.

O presidente da Casa iniciou a sessão na terça com um discurso com recados para o PL, mencionando a importância do projeto. Após a fala, abriu a ordem do dia.

“Este episódio entre os EUA e o Brasil deve nos ensinar definitivamente que nas horas mais importantes não existe Brasil de esquerda com Brasil de direita”, disse.

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Postado em 2 de abril de 2025