Polilaminina: Avanço da ciência reacende esperança para pessoas com paralisia

Em meio às chamadas históricas sobre inovação médica, uma pesquisa desenvolvida no Brasil vem chamando a atenção internacional ao apresentar resultados promissores no restabelecimento de movimentos em pessoas com lesões medulares graves.
Trata-se da polilaminina, substância experimental criada pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, professora e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que já mostrou capacidade de restaurar mobilidade em pacientes paraplégicos e tetraplégicos em estágios iniciais da pesquisa.
Desenvolvida a partir da proteína laminina — um componente natural do organismo essencial à organização e regeneração neural —, a polilaminina vem sendo aplicada diretamente na área de lesões da medula espinhal em estudos experimentais que remontam a quase três décadas de pesquisa no Brasil.
Em experimentos iniciais com humanos, seis dos oito pacientes tratados apresentaram recuperação significativa de movimentos, e um caso chegou a registrar retorno à capacidade de andar, embora resultados variem conforme o tipo e o tempo decorrido após a lesão.
Em janeiro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início do estudo clínico de fase 1, etapa regulatória essencial para avaliar a segurança da terapia em voluntários com lesão medular aguda, o que representa um marco para a pesquisa e para a possibilidade de ampliação dos testes em humanos.
Do laboratório ao Palácio do Planalto
trapassou os muros da universidade. A cientista foi recebida recentemente em eventos público-institucionais e audiências que destacam a relevância da linha de pesquisa para a saúde pública e o potencial retorno social e econômico da inovação.
Parlamentares e autoridades destacaram na tribuna a importância do investimento contínuo em ciência, enquanto a Anvisa e o Ministério da Saúde reforçaram o compromisso com a avaliação criteriosa dos próximos passos regulatórios.
Tatiana Coelho de Sampaio foi recebida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Lula) em Brasília num encontro voltado a reconhecer o feito científico e discutir estratégias para apoiar a continuidade da pesquisa — incluindo eventuais mecanismos de incentivo à produção, integração ao Sistema Único de Saúde (SUS) e promoção de parcerias público-privadas.
Embora detalhes oficiais da audiência não tenham sido amplamente divulgados em mídia tradicional, registros em redes sociais associados à visita reforçam que o encontro ocorreu no contexto da agenda de ciência e tecnologia do governo federal.
Desafios e próximos passos
Especialistas e a própria comunidade científica chamam atenção que, apesar da repercussão entusiasmada, a polilaminina ainda não é um tratamento comercial disponível, e seu caminho rumo à aprovação final depende dos resultados robustos das fases seguintes dos ensaios clínicos (fases 2 e 3).
Somente após a conclusão desses estudos e a avaliação de eficácia e segurança em larga escala a Anvisa poderá decidir sobre registro e eventual inclusão em protocolos de tratamento.
Além disso, a trajetória da invenção enfrentou percalços históricos: a equipe brasileira chegou a perder a proteção internacional de patentes por limitações orçamentárias, segundo a pesquisadora, situação que evidencia os desafios estruturais enfrentados pela ciência no país.
Um impacto global em perspectiva
O que está em jogo, contudo, vai além das fronteiras nacionais. Se comprovada em estudos amplos e replicáveis, essa terapia poderia revolucionar o tratamento de lesões medulares no mundo — condição que hoje carece de soluções capazes de restaurar funções motoras de forma consistente.
Centros de pesquisa internacionais acompanham com interesse e, em alguns casos, propõem colaborações ou estudos paralelos que podem acelerar a compreensão do mecanismo de ação da polilaminina e sua aplicação clínica global. O desafio agora é equilibrar a necessária cautela científica com a urgência dos pacientes e familiares que veem nessa linha de pesquisa um lampejo de esperança real.
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