Potiguares sofrem com altas temperaturas no início do ano

O Rio Grande do Norte vive um período de altas temperaturas típico dos meses de verão aprofundado pela falta de chuvas e aumento da radiação. Especialistas ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE apontam, no entanto, que o estado não vive a chamada onda de calor, que atinge ao menos oito unidades federativas pelo Brasil. A presença do fenômeno, caracterizado pela elevação da temperatura em certas áreas por determinado tempo, não se aplicaria nem mesmo a municípios como Caicó, que em 28 de dezembro do ano passado chegou a registrar 38,8ºC, colocando a cidade em segundo lugar no ranking das mais quentes de todo o País naquele dia.
O meteorologista Cláudio Moisés, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), explica que ondas de calor ocorrem quando uma região registra, por cinco dias seguidos, temperatura superior à máxima climatológica. “Essa máxima equivale à média registrada por um prazo de 30 anos. Se a média desse período for superada durante cinco dias consecutivos, então, temos o evento classificado como onda de calor. E não é isso que ocorre aqui no RN”, afirma o professor.
Para Gilmar Bristot, meteorologista da Empresa de Pequisa Agropecuária do RN (Emparn), o evento não deverá chegar ao estado, o qual, historicamente, dificilmente é afetado diretamente pelo fenômeno. Bristot lembra, no entanto, que em 2024 Caicó chegou a sofrer com ondas de calor, por conta de temperaturas em torno dos 40ºC, registradas em setembro por períodos mais prolongados. Segundo ele, a onda de calor presente no Brasil atualmente é fruto de deslocamentos das massas de ar quente do Deserto do Atacama, no Chile, e também de sistemas como El Niño e La Niña, para a parte central do continente.
“O La Niña e o El Niño são sistemas que podem causar áreas de baixa pressão ou alta pressão. Atualmente temos a La Niña atuando entre o Paraná e o Mato Grosso do Sul. Ela praticamente passou por cima da região Sul e entrou pelo Centro-Oeste, favorecendo um deslocamento de massa de ar quente do Deserto do Atacama em direção ao Centro do Brasil. Como o La Niña é um sistema que não provoca grandes alterações na circulação atmosférica, essa onda de calor não vai se propagar para outras regiões do País”, descreve Bristot.
Segundo o meteorologista, a tendência é de que o fenômeno perca as características iniciais ao se dissipar. Bristot avalia que temperaturas atuais para o RN, de um modo geral, estão dentro do esperado. O professor Cláudio Moisés, da UFRN, frisa que as temperaturas devem permanecer mais elevadas no RN até fevereiro, mas ele também descarta que ondas de calor cheguem por aqui. “As altas temperaturas se devem aos vários dias com muita radiação e pouca chuva”, explica.
Gilmar Bristot, da Empresa de Pequisa Agropecuária do RN, fala que o enfraquecimento do sistema La Niña também colabora para impedir a chegada do fenômeno ao estado.
TRIBUNA DO NORTE
